Palestinos lembram com ceticismo declaração de independência

Palestinos lembram amanhã o 25º aniversário da declaração de independência da Palestina, aprovada em Argel em 1988

Ramala - Os palestinos lembram amanhã, sexta-feira, em meio ao ceticismo pelas atuais negociações com Israel, o 25º aniversário da declaração de independência da Palestina, aprovada em Argel em 1988 e que deu o tiro de largada a um interminável processo de paz.

"É um aniversário simbólico que lembra o interesse do presidente Yasser Arafat em ter um Estado independente", declarou à Agência Efe Mahmoud Zauafta, de 38 anos e funcionário de uma ONG com sede em Ramala.

Este palestino oriundo de Dura, no distrito de Hebron, lamenta, no entanto, que "infelizmente nada ocorreu" desde então e que os palestinos sigam sendo "uma nação oprimida sob ocupação".

"Não há nada que comemorar", lamentou.

A Autoridade Nacional Palestina (ANP) não convocou nenhum ato oficial para celebrar o aniversário do que é considerado por todos os acadêmicos como o primeiro passo do longo e interminável processo de paz entre israelenses e palestinos.

Em 15 de novembro de 1988, o histórico líder da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Arafat, leu em Argel uma declaração na qual mostrava sua disposição a reconhecer pela primeira vez o direito de Israel a existir como Estado, e pedia sua retirada às linhas prévias à Guerra dos Seis Dias de 1967 para dar lugar a um Estado palestino.

Pouco depois Washington começou a falar com a OLP, o que conduziu à Conferência de Paz de Madri em 1991 e aos Acordos de Oslo dois anos mais tarde.

No entanto, mais de duas décadas depois o documento se tornou na prática uma mera declaração de intenções, pois ainda não se materializou em um Estado palestino independente.

Em 2012, no entanto, em um passo gigantesco para efeitos legais, a comunidade de nações reconheceu a Palestina como Estado não-membro da ONU, status ao qual Israel e Estados Unidos se opuseram categoricamente.

Apesar dos esforços de seus dirigentes para concretizar o estabelecimento de um Estado independente, Nader Omar, de 42 anos, reflete a frustração das ruas.

Vendedor de bolsas em uma loja na praça Al-Manara de Ramala, diz surpreender-se pela "motivação do povo para lembrar este aniversário quando não tiramos nada disto, estamos muito longe da independência".


"Os políticos palestinos sobrevivem de slogans vazios, precisamos da nossa liberdade antes de falarmos de Estado. O mundo deve nos ajudar para libertar-nos da ocupação", ressaltou.

A efeméride da Declaração de Argel coincide com um novo processo de negociação entre israelenses e palestinos, novamente sob patrocínio dos EUA e, como vem sendo habitual, não isento de obstáculos.

A equipe negociadora palestina inclusive pediu para ser substituída pelo que considera "falta de seriedade de Israel" nas conversas e "o sem precedentes aumento da colonização e opressão contra a Palestina e o povo palestino", segundo um comunicado divulgado hoje pelo Escritório de Negociações da OLP.

Grande parte dessa frustração se origina na política de colonização israelense na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, que não parou nem sequer durante as negociações.

Trata-se de uma velha reivindicação do presidente da ANP, Mahmoud Abbas, que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, se vê impedido de satisfazer pelas exigências de seu próprio partido Likud e de seus parceiros no governo.

O processo negociador também pode ser afetado pelos recentes resultados das investigações sobre um suposto envenenamento do impulsor da Declaração de Argel, depois que dois laboratórios especializados na Suíça e Rússia corroboraram que nos restos de Arafat havia altas concentrações de polônio 210, um material radioativo.

A ANP não duvidou em responsabilizar Israel pela autoria intelectual da morte de Arafat, e assegura que seguirá a investigação até descobrir como, e com a ajuda de quem, aconteceu o crime.

O futuro das negociações, ou seja, se desta vez conduzirão à concretização dos princípios da Declaração de Argel, será conhecido daqui a seis meses, quando conclui o prazo que se deram as partes para tentar a solução negociada.

Suad Miri, de 28 anos e professora de escola em Ramala, tenta encarar a situação com otimismo.

"Como professora tenho que ser positiva e explicar aos estudantes a história do conflito palestino. Neste plano profissional a declaração de independência é importante, mas, no plano pessoal, acho que são meras palavras vazias", explicou.

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