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País que descobriu tesouro marinho deve crescer 50% neste ano

Bolsonaro deve visitar o local nesta sexta, dia 6, para discutir temas como integração regional; injeção recorde de dólares transforma o país em campeão de crescimento mundial
Georgetown, capital da Guiana: país deve crescer 50% este ano (Getty Images/LUIS ACOSTA/AFP via Getty Images)
Georgetown, capital da Guiana: país deve crescer 50% este ano (Getty Images/LUIS ACOSTA/AFP via Getty Images)
Por Carla AranhaPublicado em 05/05/2022 16:20 | Última atualização em 05/05/2022 17:14Tempo de Leitura: 5 min de leitura

Contam-se nos dedos os países que devem conquistar um crescimento exponencial neste ano — em um contexto dominado por novos surtos de covid na China e o impacto da guerra na Ucrânia, o ritmo de expansão da economia global deve cair ao menos um ponto percentual, na análise de instituições como a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) o Fundo Monetário Internacional (FMI). Um país foge à regra. Depois de descobrir vastas reservas de petróleo no litoral, no mar do Caribe, a Guiana deve registrar um crescimento do PIB de 49,7%, segundo o Banco Mundial.

Com apenas 800 mil habitantes, o país vizinho ao Brasil acabou de receber um cheque de 106 milhões de dólares da petroleira Exxon Mobil pelos diretos de exploração de um superdepósito de 1 bilhão de barris de petróleo. No final de abril, a empresa divulgou a descoberta de três novas reservas de óleo e gás, que devem totalizar 11 bilhões de barris. A multinacional americana e seus parceiros na Guiana, a Hess Corp e a CNOOC, obtiveram contratos para explorar a maior parte dos combustíveis fósseis encontrados no litoral da Guiana.

Considerado um dos países mais pobres do continente americano, a Guiana pretende utilizar a súbita injeção de recursos para melhorias de infraestrutura, com a construção de estradas, pontes, usinas de geração de energia e moradia. Nos últimos anos, o PIB per capita passou de pouco mais de 4 mil dólares para 7 mil dólares. Ainda não é muito, mas já representa um resultado semelhante ao de países como a Bolívia e Marrocos.

Atualmente, a Guiana, banhada pelo Caribe, representa a economia que mais deve crescer no mundo, segundo o FMI. Este ano, o governo deve arrecadar cerca de 4 bilhões de dólares com a exploração dos recursos naturais. Até 2025, esse montante deve somar 10 bilhões de dólares, de acordo com estimativas da presidência da Guiana. Apenas este ano, as reservas do país devem permitir a exploração de 340 mil barris por dia – nos próximos três anos, esse número deve passar para 1 milhão.

Para evitar armadilhas provenientes do crescimento vertiginoso, o país deve investir na logística de transportes, saúde e educação – ao menos é o que diz o presidente Irfaan Ali, eleito em 2020. A construção de uma rodovia entre a Guiana e o Brasil faz parte dos planos do governo. O país pretende se tornar um importante corredor logístico para as exportações brasileiras no Atlântico. Para isso, deve investir também na estruturação de um mega porto de águas profundas, aos moldes do Abu Dabhi Ports, considerado um dos mais avançados do mundo. O projeto deve custar mais de 2 bilhões de dólares. “Para o nosso crescimento, é essencial essa parceria com o Brasil”, disse Ali.

A explosão de crescimento do país e o novo planejamento logístico representam, por sinal, um dos principais motivos da visita do presidente Jair Bolsonaro nesta sexta, dia 6, à capital, Georgetown. A agenda prevê reuniões sobre temas como cooperação econômica, integração energética e novas interconexões de transportes. Em janeiro, os encontros presenciais da comitiva brasileira com as autoridades da Guiana foram cancelados em função do falecimento da mãe do chefe de Estado brasileiro.

Em relação a obras de infraestrutura, há interesse mútuo, segundo o Itamaraty, em viabilizar, a pavimentação do trecho rodoviário Lethem-Mabura Hill, na Guiana, que deverá possibilitar a criação de um corredor rodoviário entre Boa Vista, em Roraima, e Georgetown. A ideia é que haja uma conexão direta entre a Região Norte e o Caribe.

“Há interesse por parte do governo brasileiro em compartilhar conhecimento sobre o setor de óleo e gás e construir uma agenda propositiva com o país”, afirmou, na ocasião, embaixador Pedro Miguel da Costa e Silva, secretário de Negociações Bilaterais e Regionais nas Américas do Itamaraty.

Desde o início da exploração massiva de petróleo na Guiana, em 2019, a economia vem decolando. Em 2021, cresceu 20%. E, em 2020, quando o mundo patinava em meio à fase mais severa da pandemia, o PIB registrou um salto de 43%.

No campo político e social, no entanto, os desafios persistem. O saneamento básico ainda é precário, assim como a condição das vias públicas, em que animais são flagrados nas ruas, e os serviços públicos. O país convive com divisões entre a maioria de origem africana e uma população minoritária formada por descendentes de imigrantes indianos. Após o fim da escravidão, no século 19, o Reino Unido, que tomou posse do país, levou trabalhadores da Índia para substituir a mão de obra africana. A Guiana conquistou a independência apenas em 1970, depois de séculos de domínio britânico. Filho de educadores com ancestrais indianos, Ali assumiu o governo do país em meio a conflitos étnicos e à descoberta de petróleo. Agora, tem a missão de colocar o país no rumo do desenvolvimento.

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