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ONU afirma que operação dos EUA na Venezuela violou direito internacional

Porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos expressou profunda preocupação com a intervenção militar dos EUA na Venezuela

ONU: na segunda-feira, 5, houve uma reunião do Conselho de Segurança sobre a Venezuela (UN Photo/Mark Garten/Divulgação)

ONU: na segunda-feira, 5, houve uma reunião do Conselho de Segurança sobre a Venezuela (UN Photo/Mark Garten/Divulgação)

Publicado em 6 de janeiro de 2026 às 08h09.

A Organização das Nações Unidas (ONU) expressou nesta terça-feira, 6, profunda preocupação com a intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela e alerta que houve uma violação de "um princípio fundamental do direito internacional”.

“Nenhum Estado deve ameaçar ou usar a força contra a integridade territorial ou a independência política de outro Estado”, declarou Ravina Shamdasani, porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, em uma coletiva de imprensa em Genebra, na Suíça.

Na véspera, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, pediu respeito à independência política dos países.

O secretário-geral pediu que os países respeitem os princípios de soberania, independência política e integridade territorial dos Estados.

O apelo foi feito durante uma reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre a Venezuela. As declarações de Guterres foram lidas em seu nome pela vice-secretária-geral das Nações Unidas, Rosemary DiCarlo.

"Estou profundamente preocupado com a possível intensificação da instabilidade no país, com o impacto potencial na região e o precedente que poderia criar sobre como as relações entre os Estados são conduzidas", leu DiCarlo, citando Guterres.

Posição do Brasil na ONU

Na reunião do Conselho de Segurança da ONU, o Brasil fez uma condenação firme da prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e do bombardeio do país pelos EUA.

"O Brasil rejeita categórica e veementemente a intervenção armada em território venezuelano, em flagrante violação da Carta das Nações Unidas e do direito internacional", disse Sergio Danese, representante do Brasil na ONU, em discurso, nesta segunda-feira, 5.

"O bombardeio do território venezuelano e a captura de seu presidente ultrapassam um limite inaceitável. Esses atos constituem uma grave afronta à soberania da Venezuela e estabelecem um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional", afirmou.

'A aceitação de ações dessa natureza levaria inexoravelmente a um cenário marcado pela violência, pela desordem e pela erosão do multilateralismo, em detrimento do direito e das instituições internacionais", disse.

Danese afirmou ainda que os efeitos do enfraquecimento dos mecanismos de governança internacional levaram a um cenário de 61 conflitos armados ativos e de 117 milhões de pessoas enfrentando catástrofes humanitárias.

China vê grande ameaça para a América Latina

O representante da China no Conselho de Segurança da ONU, Geng Shuang, afirmou que a ação dos Estados Unidos que culminou na prisão de Nicolás Maduro representa uma grande ameaça para todos os países da América Latina. 

"Os EUA colocaram seu poder acima do multilateralismo, e a ação militar acima da diplomacia, representando uma grave ameaça à paz e à segurança na América Latina, no Caribe e também no mundo", afirmou Shuang em seu discurso. 

O embaixador extraordinário da China disse ainda que os países da América Latina e do Caribe são forças importantes na manutenção da paz e da estabilidade global e tem pleno direito de escolher "seus próprios caminhos de desenvolvimento".

O diplomata chinês reforçou ainda que a China está "profundamente chocada e condena fortemente" os atos do governo Donald Trump. Ele defendeu que os Estados Unidos violaram os princípios de soberania da Venezuela.

"Nenhum país pode agir como a polícia do mundo, nem se presumir juiz internacional", afirmou.

*Com informações da AFP

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