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ONG eleva para 192 o número de mortos em protestos no Irã

Levantamento aponta intensificação da violência estatal, bloqueio da internet e avanço de manifestações contra o regime dos aiatolás em ao menos 27 províncias do país

O Exército iraniano declarou estar preparado para enfrentar qualquer “complô estrangeiro”, acusando Washington de fomentar a instabilidade no país (UGC/AFP)

O Exército iraniano declarou estar preparado para enfrentar qualquer “complô estrangeiro”, acusando Washington de fomentar a instabilidade no país (UGC/AFP)

Publicado em 11 de janeiro de 2026 às 08h58.

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A ONG Iran Human Rights (IHRNGO) elevou para 192 o número de mortos durante a repressão aos protestos no Irã, iniciados no fim de dezembro em meio a uma grave crise econômica, segundo informações divulgadas pela agência espanhola EFE. O país segue com acesso restrito à internet, o que dificulta a verificação independente das informações e a circulação de imagens das manifestações.

De acordo com a ONG, que tem sede em Oslo, as mortes foram confirmadas por meio de fontes diretas no país e por dois veículos independentes. A entidade afirma que a repressão se intensificou à medida que os protestos se espalharam por diversas regiões.

Entre os casos documentados está o de Rubina Aminian, estudante curdo-iraniana de 23 anos, morta na tarde de quinta-feira, 8, durante manifestações em Teerã. Segundo o relato dos pais à ONG, ao viajarem à capital para reconhecer o corpo da filha, eles encontraram centenas de cadáveres no necrotério, o que reforça a dimensão da violência.

Já a Human Rights Activists News Agency (HRANA), que atua a partir dos Estados Unidos, contabilizava até sábado 116 mortes confirmadas — número menor em razão do bloqueio das comunicações. Em relatório recente, a agência afirmou que o auge dos protestos ocorreu em 8 de janeiro, com ao menos 96 manifestações em 27 das 31 províncias iranianas, movimento que levou o governo a interromper o acesso à internet e às ligações internacionais.

Apesar das restrições, vídeos divulgados pela Hengaw Organization for Human Rights mostram marchas noturnas com grande número de pessoas em diferentes cidades do país, incluindo a capital iraniana.

Do lado oficial, a agência estatal Tasnim, alinhada ao regime islâmico, informou a morte de oito integrantes das forças de segurança entre quarta e quinta-feira, em supostos ataques com armas de fogo. O governo afirma ter detido cerca de 200 líderes de “grupos terroristas”, além de apreender armas, granadas e coquetéis molotov.

Em declaração repercutida pela imprensa oficial, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian acusou os Estados Unidos e Israel de promover divisões no mundo islâmico para alcançar “objetivos sinistros”. A fala ocorreu durante reunião com o ministro das Relações Exteriores de Omã.

Os protestos começaram em 28 de dezembro, impulsionados pela desvalorização do rial, pela inflação elevada e pelo agravamento das condições de vida. Com o avanço das manifestações, o movimento passou a incorporar críticas diretas ao regime dos aiatolás.

Diante do aumento da repressão, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que poderá intervir em apoio aos manifestantes caso a violência continue. Em resposta, o Exército iraniano declarou estar preparado para enfrentar qualquer “complô estrangeiro”, acusando Washington de fomentar a instabilidade no país.

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