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OMC diz que bloqueio do Estreito de Ormuz ameaça fertilizantes e alimentos

Entidade alerta para risco à segurança alimentar global após interrupção da rota, que concentra fluxo de ureia e eleva preços de energia para países importadores

Estreito de Ormuz: rota é responsável por 20% da produção de petróleo no mundo (Stringer/Reuters)

Estreito de Ormuz: rota é responsável por 20% da produção de petróleo no mundo (Stringer/Reuters)

Publicado em 19 de março de 2026 às 13h25.

A Organização Mundial do Comércio (OMC) alertou nesta quinta-feira, 19, para os efeitos do bloqueio do Estreito de Ormuz sobre o comércio global, com impacto direto no fornecimento de fertilizantes e alimentos.

Segundo a entidade, a interrupção da rota afeta especialmente países que dependem da importação desses insumos. Entre os grandes produtores agrícolas, o Brasil utiliza o estreito para cerca de 40% das compras de ureia. Na Índia, a dependência chega a 70%, enquanto na Tailândia é de 35%.

A OMC destacou que o problema não se limita ao setor agrícola. O Estreito de Ormuz também é responsável pelo transporte de cerca de 30% dos fertilizantes comercializados no mundo, além de aproximadamente 20% do petróleo consumido globalmente.

O economista-chefe da organização, Robert Staiger, afirmou que a situação representa um impacto relevante para a segurança alimentar, especialmente em países mais vulneráveis, como algumas nações africanas.

No campo energético, a avaliação é de que países importadores líquidos já enfrentam aumento nos preços, o que pode reduzir a capacidade de compra no comércio internacional.

Projeções para o comércio global

Com a elevação dos preços de energia, a OMC revisou suas projeções para o comércio global. A entidade passou a prever desaceleração mais forte neste ano, com crescimento de apenas 1,4% caso os preços de petróleo e gás permaneçam elevados, abaixo dos 4,6% registrados em 2025.

Segundo a diretora-geral da organização, Ngozi Okonjo-Iweala, aumentos persistentes nos custos de energia tendem a ampliar os riscos para o comércio, com efeitos sobre a segurança alimentar e pressão adicional sobre empresas e consumidores.

Em um cenário menos adverso, sem choques relevantes nos preços de energia, a expansão do comércio global de mercadorias pode chegar a 1,9% em 2026. Já o comércio de serviços deve crescer 4,1% no período.

A OMC também aponta que, se o conflito for de curta duração e setores como o de inteligência artificial mantiverem dinamismo, o crescimento pode superar as estimativas atuais.

Por outro lado, a OMC indica que exportadores de energia tendem a ser menos afetados pelas interrupções nas cadeias de abastecimento.

*Com informações de EFE e AFP

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