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Observatório do Clima quer investimento em energia renovável

Com decisão do Parlamento norueguês, o Fundo de Pensão Governamental Mundial, considerado o maior fundo soberano, deverá retirar investimento de 122 empresas

Energia eólica: segundo Carlos Rittl, o Brasil estará, nos próximos anos, aproveitando menos de 10% do potencial de geração dessa fonte (Getty Images)
DR

Da Redação

Publicado em 7 de julho de 2015 às 15h18.

O exemplo do governo da Noruega , que no mês passado anunciou retirada de investimentos do seu fundo soberano em empresas que têm parte significativa de seus ativos na exploração e queima de carvão, deveria ser seguido pelo Brasil, com maiores investimentos em fontes renováveis.

A opinião é do secretário-executivo do Observatório do Clima , Carlos Rittl. Com a decisão do Parlamento norueguês, o Fundo de Pensão Governamental Mundial (GPFG), considerado o maior fundo soberano do mundo, deverá retirar investimento de 122 empresas, no total de 7,7 bilhões de euros.

“Ele manda uma mensagem clara para o mercado, os investidores, que a tendência é buscar alternativas aos combustíveis fósseis”, disse Rittl hoje (7) à Agência Brasil.

Para ele, as políticas brasileiras de expansão da geração de energia deveriam considerar as mudanças climáticas e os riscos dos investimentos na hora de alocar os recursos.

Destacou que hoje, o Brasil projeta colocar 70% dos investimentos em energia em combustíveis fósseis, nos próximos dez anos. Esses recursos vão gerar impactos no clima e podem se transformar em investimentos de alto risco, apontou.

Avaliou que embora o Plano Decenal para Expansão de Energia, da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), preveja aumento dos investimentos em fontes limpas, esses investimentos ainda são reduzidos, “perto do que nós temos de potencial, em especial em algumas fontes”.

É o caso, por exemplo, da energia eólica (dos ventos), que segundo Rittl, o Brasil estará, nos próximos anos, aproveitando menos de 10% do potencial de geração dessa fonte.

Ou da energia solar, em que “a gente ainda engatinha, enquanto outros países desenvolvidos e em desenvolvimento estão caminhando muito rápido”.

Nesse sentido, destacou os Estados Unidos, a Alemanha, China, Índia, que além de avançar mais rápido, estão estruturando cadeias produtivas, que geram empregos e produzem uma tecnologia que será solução para os próprios países e para o mundo inteiro.

“O Brasil está deixando de lado o aproveitamento de algumas fontes que poderiam ser melhor exploradas e a gente poderia investir muito mais nessas fontes”.

Membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, Carlos Rittl observou que a energia solar é a fonte cujos custos mais caem no mundo. Por isso, sugeriu que o Brasil tenha mais estratégias para investir nessas fontes renováveis.

Disse que as mudanças climáticas devem ser incorporadas em todo o planejamento energético, englobando as emissões que os combustíveis fósseis irão gerar.

Segundo Rittl, mesmo que exporte parte importante do petróleo do Pré-sal, a exploração desse óleo vai gerar emissões dentro do Brasil, o que acaba tornando esses investimentos de risco.

“A gente tem que entender de que forma as mudanças climáticas impactam a nossa segurança energética”. A situação recente de seca, com nível baixo dos reservatórios das hidrelétricas, acionou termelétricas movidas a combustíveis fósseis, o que ampliou emissões de gases causadores do efeito estufa.

O aumento de participação de fontes não fósseis na matriz energética e a substituição de combustíveis fósseis na matriz de transportes são soluções apontadas por Rittl para reduzir as emissões de gases poluentes no Brasil.

As projeções de investimentos em fontes de geração de energia não devem olhar para os anos passados, mas incorporar o cenário climático futuro, que aponta o que vai ocorrer nos próximos 30 ou 40 anos, que é o período de vida útil de uma grande usina, indicou o secretário-executivo do Observatório do Clima.

“A gente não está fazendo isso”. Daí, o país corre o risco de ver projetos, como o da Usina de Belo Monte, com alta vulnerabilidade à mudança de clima, associada a impactos sociais, ambientais e locais. “A gente tem que olhar para o clima futuro de maneira mais estratégica”, sustentou.

Na avaliação do coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel) da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Nivalde de Castro, o exemplo norueguês indicado por Rittl não se mostra muito consistente em função das diferenças que Brasil e Noruega apresentam.

A evolução da matriz elétrica brasileira vai necessitar, “obrigatoriamente”, de usinas termelétricas, para garantir a segurança energética, porque o Brasil não tem mais capacidade de dar segurança por meio dos reservatórios, porque eles não crescem mais em relação à demanda e todas as outras fontes são “interruptíveis”, manifestou.

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O exemplo do governo da Noruega , que no mês passado anunciou retirada de investimentos do seu fundo soberano em empresas que têm parte significativa de seus ativos na exploração e queima de carvão, deveria ser seguido pelo Brasil, com maiores investimentos em fontes renováveis.

A opinião é do secretário-executivo do Observatório do Clima , Carlos Rittl. Com a decisão do Parlamento norueguês, o Fundo de Pensão Governamental Mundial (GPFG), considerado o maior fundo soberano do mundo, deverá retirar investimento de 122 empresas, no total de 7,7 bilhões de euros.

“Ele manda uma mensagem clara para o mercado, os investidores, que a tendência é buscar alternativas aos combustíveis fósseis”, disse Rittl hoje (7) à Agência Brasil.

Para ele, as políticas brasileiras de expansão da geração de energia deveriam considerar as mudanças climáticas e os riscos dos investimentos na hora de alocar os recursos.

Destacou que hoje, o Brasil projeta colocar 70% dos investimentos em energia em combustíveis fósseis, nos próximos dez anos. Esses recursos vão gerar impactos no clima e podem se transformar em investimentos de alto risco, apontou.

Avaliou que embora o Plano Decenal para Expansão de Energia, da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), preveja aumento dos investimentos em fontes limpas, esses investimentos ainda são reduzidos, “perto do que nós temos de potencial, em especial em algumas fontes”.

É o caso, por exemplo, da energia eólica (dos ventos), que segundo Rittl, o Brasil estará, nos próximos anos, aproveitando menos de 10% do potencial de geração dessa fonte.

Ou da energia solar, em que “a gente ainda engatinha, enquanto outros países desenvolvidos e em desenvolvimento estão caminhando muito rápido”.

Nesse sentido, destacou os Estados Unidos, a Alemanha, China, Índia, que além de avançar mais rápido, estão estruturando cadeias produtivas, que geram empregos e produzem uma tecnologia que será solução para os próprios países e para o mundo inteiro.

“O Brasil está deixando de lado o aproveitamento de algumas fontes que poderiam ser melhor exploradas e a gente poderia investir muito mais nessas fontes”.

Membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, Carlos Rittl observou que a energia solar é a fonte cujos custos mais caem no mundo. Por isso, sugeriu que o Brasil tenha mais estratégias para investir nessas fontes renováveis.

Disse que as mudanças climáticas devem ser incorporadas em todo o planejamento energético, englobando as emissões que os combustíveis fósseis irão gerar.

Segundo Rittl, mesmo que exporte parte importante do petróleo do Pré-sal, a exploração desse óleo vai gerar emissões dentro do Brasil, o que acaba tornando esses investimentos de risco.

“A gente tem que entender de que forma as mudanças climáticas impactam a nossa segurança energética”. A situação recente de seca, com nível baixo dos reservatórios das hidrelétricas, acionou termelétricas movidas a combustíveis fósseis, o que ampliou emissões de gases causadores do efeito estufa.

O aumento de participação de fontes não fósseis na matriz energética e a substituição de combustíveis fósseis na matriz de transportes são soluções apontadas por Rittl para reduzir as emissões de gases poluentes no Brasil.

As projeções de investimentos em fontes de geração de energia não devem olhar para os anos passados, mas incorporar o cenário climático futuro, que aponta o que vai ocorrer nos próximos 30 ou 40 anos, que é o período de vida útil de uma grande usina, indicou o secretário-executivo do Observatório do Clima.

“A gente não está fazendo isso”. Daí, o país corre o risco de ver projetos, como o da Usina de Belo Monte, com alta vulnerabilidade à mudança de clima, associada a impactos sociais, ambientais e locais. “A gente tem que olhar para o clima futuro de maneira mais estratégica”, sustentou.

Na avaliação do coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel) da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Nivalde de Castro, o exemplo norueguês indicado por Rittl não se mostra muito consistente em função das diferenças que Brasil e Noruega apresentam.

A evolução da matriz elétrica brasileira vai necessitar, “obrigatoriamente”, de usinas termelétricas, para garantir a segurança energética, porque o Brasil não tem mais capacidade de dar segurança por meio dos reservatórios, porque eles não crescem mais em relação à demanda e todas as outras fontes são “interruptíveis”, manifestou.

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