Obama se despede de 2013 cercado por problemas de governo

Presidente dos EUA se despede com uma baixa popularidade em um ano cheio de tropeços

Washington - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se despede com uma baixa popularidade em um ano cheio de tropeços, marcado por vários escândalos, uma paralização parcial do governo, a ameaça de suspender pagamentos e o fiasco de sua reforma da saúde, no meio de uma polarização política sem precedentes.

Essa polarização impossibilitou no início de ano que seguissem em frente no congresso medidas para reforçar o controle das armas, como pretendia Obama, e também impediu que neste ano de 2013 fosse aprovada a reforma migratória, outra das prioridades do presidente democrata para seus últimos quatro anos na Casa Branca.

Mas, além do empenho da oposição em bloquear quase todas suas iniciativas, Obama também acumulou fracassos de esforço próprio como a desastrosa aplicação de sua reforma da saúde, promulgada em 2010, e um famoso escândalo, o da espionagem da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês), com graves repercussões em sua reputação no exterior.

"O atual grau de polarização entre republicanos e democratas é o mais extremo em mais de meio século", declarou à Efe Francine Kiefer, editora do "Christian Science Monitor" e quem coordena um ciclo de artigos políticos nesse jornal para criar consciência sobre o problema.

De acordo com Francine, são várias as razões que explicam essa polarização, entre elas que ambos os partidos estão "em modo de campanha" durante todo o ano e o fato de que os congressistas só "legislam" na prática durante três dias, de terça-feira a quinta-feira, e isso lhes dá "menos tempo para trabalhar juntos e socializar".


A consequência mais grave desta situação foi vivida no final de setembro quando os congressistas foram incapazes de entrar em acordo para aprovar o orçamento federal para o novo ano fiscal, sobretudo devido ao empenho do movimento direitista Tea Party de deixar sem fundos a reforma da saúde.

Por causa disso o governo esteve parcialmente paralisado durante 16 dias e os EUA estiveram à beira da moratória até que foi fechado um acordo quase no último minuto para elevar o teto do endividamento público até o próximo dia 7 de fevereiro.

Com esse acordo se evitou uma crise de consequências desastrosas em nível global, mas o prejuízo causado ficou refletido em perdas milionárias para a economia americana e sobretudo na queda da confiança e respeito em seu sistema político.

Por outro lado, 2013 foi o ano no qual Obama perdeu parte da popularidade que tinha no exterior, sobretudo pelo escândalo da espionagem em massa realizado pela NSA e que, segundo as revelações do ex-analista dessa agência Edward Snowden, afetou líderes e Governos amigos.

A Casa Branca, por instrução de Obama, ordenou uma revisão dos programas da NSA que tem como objetivo garantir que os Estados Unidos espionem não porque "podem" mas porque "devem".

E também deixou claro que Obama não sabia da espionagem a aliados como a chanceler alemã, Angela Merkel, até que ordenou essa revisão por causa dos vazamentos sobre as operações da NSA realizadas por Snowden.


Se sua imagem de líder merecedor de confiança foi se desvanecendo no exterior, em casa o que prejudicou Obama até deixar sua imagem no nível mais baixo desde que chegou à Casa Branca em 2009 foi a nefasta aplicação da reforma da saúde, a maior conquista de seu primeiro mandato.

O site "www.healthcare.gov", onde podem ser obtidos os novos seguros médicos previstos na reforma, registrou vários erros e problemas técnicos durante várias semanas após seu lançamento.

Mas o que realmente minou a credibilidade de Obama inclusive entre os próprios democratas foi sua promessa, mantida desde 2010 e que resultou ser inexata, de que os cidadãos satisfeitos com sua cobertura de saúde não teriam que trocá-la para cumprir com os novos padrões da reforma.

Além disso, para um presidente que sempre presumiu ter o governo mais transparente da história, caíram como um jarro de água fria em maio os escândalos da vigilância encoberta do Serviço de Impostos Internos sobre grupos conservadores e da espionagem sofrida pela agência de notícias "AP".

Quase a única fonte de boas notícias para Obama durante este ano foi a política externa, graças ao acordo em colaboração com a Rússia para desmantelar o arsenal químico sírio ao que se chegou após a ameaça de uma iminente intervenção militar de Washington contra o regime de Bashar al Assad.

Mais recentemente, Obama marcou mais um ponto com o acordo entre as potências ocidentais e o Irã para suspender temporariamente o programa nuclear de Teerã, embora esse pacto tenha valido o descontentamento de aliados como Israel e Arábia Saudita, e seu resultado final ainda seja uma incógnita.

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