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Nova Délhi busca "corredor seguro" para importar petróleo bruto venezuelano

Narendra Modi e Delcy Rodríguez discutem cooperação enquanto refinarias indianas enfrentam entraves com capital russo

Publicado em 31 de janeiro de 2026 às 20h50.

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O governo da Índia iniciou uma ofensiva diplomática junto aos Estados Unidos para obter uma autorização formal que permita a retomada das compras de petróleo da Venezuela.

A movimentação, confirmada neste sábado, 31, por fontes do setor ouvidos pela EFE, visa criar um "corredor seguro" para os barris venezuelanos, protegendo as empresas indianas de eventuais sanções comerciais de Washington. Para Nova Délhi, o óleo bruto pesado de Caracas é a alternativa indispensável para reduzir a atual dependência dos suprimentos vindos da Rússia.

Atualmente, a Índia ocupa o posto de terceiro maior consumidor de energia do planeta e enfrenta dificuldades técnicas para processar o excedente russo em algumas de suas plantas. Dados da consultoria Kpler apontam que as importações de óleo da Rússia caíram para 1,1 milhão de barris por dia nas primeiras semanas de janeiro, uma redução considerável frente ao pico de 2 milhões registrado em meados de 2025.

A busca pelo tipo Merey, característico da Venezuela, é vista como uma necessidade operacional das refinarias locais.

O entrave da Nayara Energy

Apesar do alinhamento político entre o primeiro-ministro Narendra Modi e a presidência interina da Venezuela, a logística ainda favorece o mercado americano. A "velocidade de caixa" permite que carregamentos enviados ao Texas sejam liquidados em apenas cinco dias, enquanto o trajeto marítimo até a Índia consome 45 dias de navegação.

Além disso, credores da dívida venezuelana tentam embargar cargas em águas internacionais, o que aumenta a insegurança jurídica para os compradores asiáticos.

Um dos maiores desafios para a estratégia indiana reside na refinaria Nayara Energy. Embora a planta seja tecnicamente ideal para o refino de petróleo pesado, ela possui quase 50% de participação da estatal russa Rosneft.

Especialistas indicam que é improvável que o Departamento do Tesouro americano autorize o envio de barris para uma empresa com forte capital russo, mantendo bloqueada uma das principais portas de entrada para o produto venezuelano no mercado indiano.

Enquanto a Índia pressiona por mecanismos logísticos garantidos, os Estados Unidos seguem absorvendo as primeiras cargas disponíveis da "nova Venezuela". O governo de Narendra Modi tenta convencer Washington de que a abertura para o petróleo sul-americano é uma ferramenta eficaz para enfraquecer o financiamento da guerra na Ucrânia, ao deslocar o mercado indiano da esfera de influência de Moscou. A decisão final sobre esse salvo-conduto energético terá reflexos diretos nos preços globais do Brent nos próximos meses.

(Com EFE)

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