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Mudanças climáticas aumentam 35 vezes a probabilidade de ondas de calor nas Américas

Desde março, o México registrou pelo menos 61 mortes diretamente relacionadas com as temperaturas elevadas

De olho clima  (SXC.Hu)

De olho clima (SXC.Hu)

AFP
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Agência de notícias

Publicado em 20 de junho de 2024 às 08h57.

As ondas de calor fatais são 35 vezes mais prováveis devido às mudanças climáticas nos Estados Unidos, México e América Central, segundo um estudo publicado nesta quinta-feira, 20.

A probabilidade de que o calor extremo que afetou todos estes países em maio e junho volte a acontecer é quatro vezes maior do que há 25 anos, segundo o estudo da associação de climatologistas conhecida como Atribuição Meteorológica Mundial (WWA, na sigla em inglês).

Desde março, o México registrou pelo menos 61 mortes diretamente relacionadas com as temperaturas elevadas, uma situação que pode piorar a curto prazo.

"Provavelmente não conhecemos o quadro completo das mortes relacionadas com o calor, pois geralmente são confirmadas e relatadas apenas meses após o evento, quando são", afirmou a WWA, que utiliza métodos revisados por outros cientistas para avaliar os vínculos entre eventos extremos específicos e o aquecimento global.

Devido ao uso de combustíveis fósseis, que provocam gases do efeito estufa, principais causas das mudanças climáticas, milhões de pessoas sofrerão as consequências das ondas de calor, destaca a rede de cientistas.

Este ano tem sido o mais quente já registrado e grandes áreas do mundo já enfrentaram temperaturas muito elevadas no início do verão no hemisfério norte.

Nos Estados Unidos, os incêndios florestais são graves. Na Arábia Saudita, ao menos 900 pessoas morreram durante a peregrinação anual do hajj, a maioria devido ao calor implacável: as temperaturas em Meca atingirem 51,8ºC na segunda-feira.

Entre a vida e a morte

Para desenvolver o estudo, os cientistas da rede climática analisaram os cinco dias e noites consecutivos mais quentes entre maio e junho, em uma área que inclui o sudoeste dos Estados Unidos, México, Guatemala, Belize, El Salvador e Honduras.

Os cientistas da WWA desenvolveram modelos de previsão baseados no fato de que o planeta já está 1,2ºC mais quente do que no período pré-industrial.

Para a associação, "as temperaturas máximas registradas na América do Norte e Central são atualmente 35 vezes mais prováveis do que no período pré-industrial".

"O 1,4ºC de calor adicional provocado pelas mudanças climáticas representaria a diferença entre a vida e a morte para muitas pessoas entre maio e junho", afirmou Karina Izquierdo, conselheira de questões urbanas para a América Latina e o Caribe no Centro de Mudança Climática da Cruz Vermelha.

"Além de reduzir as emissões, os governos e as cidades têm que adotar medidas para serem mais resistentes ao calor", declarou.

De todos os fenômenos meteorológicos, o calor é o mais subestimado, afirmam os cientistas. As crianças, os idosos e os trabalhadores ao ar livre são particularmente vulneráveis.

No México e na América Central, os impactos do calor são intensificados pelas más condições de moradia, pelo acesso limitado a serviços de refrigeração e para as pessoas que vivem em assentamentos informais.

O calor extremo também ameaça a estabilidade do fornecimento de energia elétrica, que é crucial para o funcionamento das unidades de saúde.

Os cientistas acreditam que os sistemas de alerta e os planos de ação contra o calor extremo poderiam ajudar a reforçar a preparação da América Central para tais eventos.

Os países devem desenvolver sistemas de alerta para os trabalhadores ao ar livre, explica a WWA. Os espaços verdes e a melhoria das infraestruturas nos assentamentos informais também ajudarão a proteger as pessoas mais vulneráveis, acrescenta a associação.

 

 

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