Eva Schloss, meia-irmã de Anne Frank e presidente honorária da Anne Frank Trust UK (Chris Jackson/POOL/AFP)
Redação Exame
Publicado em 4 de janeiro de 2026 às 19h51.
Eva Schloss, sobrevivente do campo de extermínio de Auschwitz, educadora dedicada à memória do Holocausto e meia-irmã póstuma de Anne Frank, morreu no sábado, 3, em Londres, aos 96 anos. A morte foi confirmada por sua fundação em comunicado oficial.
A família afirmou neste domingo, 4, em nota divulgada pela instituição, que recebeu a notícia com “imensa tristeza” e descreveu Eva como uma “mulher extraordinária”, que dedicou a vida a preservar a memória do Holocausto, promover a compreensão histórica e defender a paz, segundo informou a fundação Eva Schloss.
O rei Charles III e a rainha Camilla, madrinha da Anne Frank UK, também lamentaram a morte. O monarca havia dançado com Eva durante um evento em Londres, em 2022. “Tivemos o privilégio de conhecê-la e a admirávamos profundamente”, afirmaram em mensagem publicada nas redes sociais, de acordo com o comunicado citado pela fundação.
Eva Schloss foi uma das fundadoras da Anne Frank UK, criada em 1990 com o objetivo de transmitir a história do Holocausto às novas gerações e combater o preconceito e o antissemitismo.
Nascida Eva Geiringer, na Áustria, em 1929, ela ainda era adolescente quando o país foi anexado pela Alemanha nazista. Sua família judaica deixou inicialmente o país e se refugiou na Bélgica antes de se estabelecer em Amsterdã, nos Países Baixos, onde passou a morar em frente à casa da família Frank.
Eva e Anne tinham a mesma idade e chegaram a brincar juntas na infância. A partir de 1942, porém, ambas as famílias passaram a viver escondidas para escapar da perseguição nazista. Dois anos depois, Eva, a mãe Elfriede, o pai Erich e o irmão Heinz foram denunciados por um colaborador do regime.
A família foi presa no dia em que Eva completava 15 anos e deportada para Auschwitz, em maio de 1944. Eva conseguiu permanecer ao lado da mãe durante o período de encarceramento, mas foi separada do pai e do irmão, que morreram no campo.
Libertada em 1945, Eva se mudou para Londres, onde passou a estudar e conheceu o futuro marido, Zvi Schloss. Sua mãe retornou a Amsterdã e se casou com Otto Frank, pai de Anne Frank, que havia sobrevivido a Auschwitz e estava viúvo.
O casal Schloss teve três filhas e adquiriu a cidadania britânica. Em 2021, aos 92 anos, Eva recuperou também a nacionalidade austríaca.
Ao longo da vida, Eva Schloss escreveu livros, deu palestras em diversos países e se tornou uma das vozes mais ativas na educação sobre o Holocausto. Desde 2013, era integrante da Ordem do Império Britânico, em reconhecimento ao seu trabalho educativo e humanitário.