Javier Milei: presidente da Argentina falou durante Fórum Econômico Mundial. (FABRICE COFFRINI/AFP)
Redação Exame
Publicado em 22 de janeiro de 2026 às 10h29.
O presidente da Argentina, Javier Milei, afirmou nesta quinta-feira, 22, que considera “muito adequado” o plano do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a Venezuela.
Milei também voltou a atacar o governo de Nicolás Maduro, a quem classificou como um “tirano e assassino”.
A declaração foi dada em entrevista à Bloomberg, na qual Milei disse manter contato com a líder da oposição venezuelana, Maria Corina Machado, que ele visitou recentemente em Oslo durante a cerimônia do Prêmio Nobel da Paz.
Segundo o presidente argentino, tentar acelerar uma transição democrática na Venezuela poderia ser arriscado e a estratégia defendida por Trump seria mais compatível com a realidade política do país.
Durante a entrevista, Milei também voltou a defender o livre-comércio, ao comentar o acordo entre Mercosul e União Europeia. Para ele, mesmo que a abertura econômica resulte na eliminação de alguns postos de trabalho no curto prazo, os ganhos estruturais compensam.
“Os países mais abertos são mais ricos, e a Argentina é o mais fechado”, afirmou, acrescentando que o aumento da produtividade e da especialização tende a gerar crescimento econômico no médio e longo prazo.
O presidente argentino aproveitou o tema para atacar governos de esquerda. “O bom da esquerda é que tudo parece bonito. O ruim é que sempre fracassam”, disse.
Apesar das críticas ideológicas, Milei afirmou estar disposto a manter relações institucionais com líderes de esquerda, incluindo o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, caso isso seja necessário para os interesses da Argentina.
Questionado sobre a presença chinesa no país, Milei disse que não está comprovado que a China mantenha uma estação espacial em território argentino. Ele se referiu à base instalada na Patagônia, cuja função é alvo de debate, e afirmou que a versão oficial sustenta que os chineses que atuam no local são civis.
O presidente também demonstrou otimismo em relação ao cenário político regional e disse acreditar em uma expansão de governos de direita na América Latina nos próximos anos.