Mundo

Milei propõe adotar maioridade penal aos 13 anos e adotar 'tolerância zero' na Argentina

Projeto foi apresentado na quinta-feira e agora será debatido no Congresso do país, onde governo enfrenta dificuldades

Javier Milei, presidente da Argentina: presidente foi eleito com promessa de endurecimento contra o crime

Javier Milei, presidente da Argentina: presidente foi eleito com promessa de endurecimento contra o crime

AFP
AFP

Agência de notícias

Publicado em 3 de outubro de 2025 às 09h24.

Última atualização em 3 de outubro de 2025 às 09h35.

O presidente argentino, Javier Milei, apresentou nesta quinta-feira, 2, um projeto de reforma do Código Penal sob o lema "Tolerância Zero", que prevê o endurecimento das punições, redução da maioridade penal e aceleração dos processos judiciais.

A apresentação ocorreu no complexo penitenciário de Ezeiza, no sul de Buenos Aires, em meio à reta final para as eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para 26 de outubro. O pleito será crucial para Milei, que atravessa uma fase política difícil e busca ampliar sua escassa base parlamentar.

"A ordem é uma pré-condição para ter tolerância zero. Aqui se faz, aqui se paga", declarou Milei em discurso de tom eleitoral, ao lado da ministra da Segurança, Patricia Bullrich, e do ministro da Justiça, Mariano Cúneo Libarona.

Principais mudanças propostas no Código Penal

Entre os pontos centrais do projeto estão:

  • Roubo: pena mínima passa de um mês para um ano, e máxima sobe de dois para três anos; casos com uso de força terão pena de seis a oito anos.
  • Homicídio simples: pena de 10 a 30 anos, contra 8 a 25 anos atualmente; prisão perpétua já é prevista para homicídio qualificado.
  • Pornografia infantil: posse com fins de distribuição terá pena máxima de até 12 anos, contra dois anos hoje.
  • Agressões durante manifestações: aumento da pena para até cinco anos, e até nove anos se a vítima for membro das forças de segurança.
  • Menoridade penal: queda de 16 para 13 anos.
  • Imperscritibilidade: elimina a prescrição para crimes graves, incluindo homicídio, delitos sexuais, tráfico de pessoas e drogas. Atualmente, apenas crimes de lesa-humanidade são imprescritíveis.

Desafios no Congresso

Milei afirmou que a implementação do projeto depende do Congresso da Nação:

"Depende de que os ocupantes das cadeiras do Poder Legislativo tenham a vocação de estar ao lado das vítimas, e não ao lado dos criminosos", concluiu.

No mesmo dia, o Congresso, onde o partido de Milei é minoria, impôs um revés ao presidente ao reverter dois vetos presidenciais, mantendo leis que ampliam verbas para universidades e hospitais pediátricos.

Acompanhe tudo sobre:Javier MileiArgentina

Mais de Mundo

Veja a lista dos convidados de Trump para o 'Conselho de Paz para Gaza'

França rejeita integrar 'Conselho de Paz para Gaza' com condições atuais de Trump

Presidente eleito do Chile enfrenta crise de incêndios florestais, que deixaram 19 mortos

Premiê alemão diz que UE pode impor tarifas recíprocas aos EUA se necessário