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Manifestações transformam Santiago em praça de guerra

Estudantes chilenos protestaram nesta quarta-feira em Santiago, erguendo barricadas em chamas e bloqueando os acessos a instalações de mineração

Os estudantes exigem educação pública, gratuita e de qualidade (Martin Bernetti/AFP)

Os estudantes exigem educação pública, gratuita e de qualidade (Martin Bernetti/AFP)

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Da Redação

26 de junho de 2013, 23h13

Santiago - Os estudantes chilenos protestaram nesta quarta-feira em Santiago, erguendo barricadas em chamas em várias partes da capital e bloqueando os acessos a instalações de mineração, em um violento protesto pela reforma educacional que terminou com centenas de feridos.

O protesto, que marcou uma radicalização nas manifestações estudantis, começou com cerca de trinta barricadas em chamas nas imediações de colégios e universidades de Santiago, causando grandes engarrafamentos e um verdadeiro caos na hora de maior movimento na capital chilena, de seis milhões de habitantes.

Os incêndios foram uma ação coordenada dos estudantes prévia a uma enorme manifestação, que reuniu mais de 100 mil pessoas no centro de Santiago.

Os incidentes mais graves foram registrados nas imediações da Faculdade de Filosofia da Universidade do Chile, onde houve confrontos entre pessoas encapuzadas e forças especiais da Polícia, que repeliram os ataques com jatos d'água e bombas de gás lacrimogêneo.

Um grupo também atacou as instalações da Rádio Agricultura, no centro de Santiago, de onde os canais de TV gravavam os incidentes.

No total, a polícia deteve 108 pessoas e quatro policiais ficaram feridos, segundo as autoridades.

"Não são estudantes, são delinquentes, extremistas e, nesta oportunidade, agiram de forma simultânea, coordenada e preparada", disse o ministro do Interior e da Segurança, Andrés Chadwick.

"Já são anos de mobilizações e não recebemos resposta alguma", disse a porta-voz dos secundaristas, Isabel Salgado, que exigiu a renúncia da ministra da Educação, Carolina Schmidt.

O presidente Sebastián Piñera também condenou a violência e anunciou o envio ao Congresso de uma nova lei para combater as desordens públicas que dá meios à Polícia de identificar os manifestantes preventivamente.

A medida se soma a outras propostas já enviadas por seu governo para deter encapuzados e classificar como crime os insultos aos policiais.


A nova iniciativa, segundo Piñera, não pretende restringir as liberdades individuais, e sim "proteger melhor a liberdade da imensa maioria dos chilenos".

Educação pública, gratuita e de qualidade

A jornada de manifestação marca a radicalização dos protestos estudantis que começaram em 2011, em favor de uma profunda reforma do sistema educativo que se mantém como herança da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).

Os estudantes exigem educação pública, gratuita e de qualidade, uma reivindicação que o governo atendeu parcialmente aumentando os créditos aos universitários para o pagamento de mensalidades e ampliando as vagas gratuitas nas instituições de ensino.

A manifestação desta quarta foi realizada após uma grande marcha de estudantes organizada na semana passada em Santiago e que terminou em violentos enfrentamentos com policiais.