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Lula diz que entregou a Trump acordo nuclear com Irã e ofereceu mediação

Em entrevista ao jornal americano Washington Post, presidente afirmou ter mostrado a Trump cópia da Declaração de Teerã — costurada por Brasil e Turquia há 16 anos e rejeitada à época por EUA e União Europeia

Trump e Lula: presidentes se encontraram no último dia 7  (Ricardo Stuckert / PR)

Trump e Lula: presidentes se encontraram no último dia 7 (Ricardo Stuckert / PR)

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 17 de maio de 2026 às 09h49.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse, em entrevista ao jornal americano Washington Post, que entregou ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, uma cópia da Declaração de Teerã — acordo nuclear costurado por Brasil e Turquia com o Irã em 2010. O presidente brasileiro também e se ofereceu para facilitar o diálogo entre o governo americano e o regime iraniano.

Segundo Lula, o objetivo de apresentar o documento foi mostrar a Trump que "não é verdade que o Irã esteja tentando construir uma bomba atômica de novo".

De acordo com o presidente brasileiro, Trump disse que leria o documento.

Lula afirmou ter se colocado à disposição para ajudar a destravar um canal de diálogo, mas os próximos passos não chegaram a ser discutidos no encontro.

O que foi a Declaração de Teerã

Assinada em 17 de maio de 2010 — há exatos 16 anos — pelo então presidente Lula, pelo premiê turco Recep Tayyip Erdogan e pelo presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, a Declaração de Teerã previa que o Irã enviasse 1.200 kg de urânio pouco enriquecido para a Turquia em troca de combustível nuclear enriquecido a 20%, para uso em um reator de pesquisas médicas em Teerã.

O acordo reafirmava o compromisso iraniano com o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) e o direito do país ao uso pacífico da energia nuclear.

A negociação ocorreu após uma carta do então presidente americano Barack Obama, enviada em 2009 a Lula e Erdogan, pedindo a mediação dos dois países — ambos então membros não-permanentes do Conselho de Segurança da ONU.

No entanto, ao ser fechado, o acordo foi rejeitado pelos próprios Estados Unidos, pela União Europeia e por outras potências ocidentais, sob a acusação de que o Irã estaria apenas tentando ganhar tempo para evitar novas sanções.

Em junho de 2010, menos de um mês após a Declaração, o Conselho de Segurança aprovou uma nova rodada de sanções contra o Irã. Brasil e Turquia votaram contra.

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