Vacina para mpox: o governo brasileiro prioriza pessoas que vivem com HIV/AIDS (Getty Images)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 6 de novembro de 2026 às 10h07.
Última atualização em 6 de novembro de 2026 às 16h41.
O Brasil registrou 665 casos de mpox em 2026, com o Ministério da Saúde autorizando a compra de até 20 mil doses de vacina. Apesar da queda de 94% nos casos em relação a 2022, alguns estados, como Rio de Janeiro, mostram aumento nas infecções. A vacinação prioriza pessoas com HIV/Aids e contagem baixa de linfócitos CD4.
O Brasil confirmou 665 casos de mpox em 2026, enquanto oMinistério da Saúde autorizou nesta quinta-feira, 5, a aquisição de até 20 mil doses da vacina contra a doença para reforçar o estoque estratégico do Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo a pasta, a compra tem caráter preventivo e busca garantir a capacidade de resposta do sistema de saúde diante das demandas identificadas nos estados.
Embora o total de casos no país seja 94% inferior ao registrado em 2022, quando foram contabilizadas mais de 10 mil ocorrências, alguns estados registram aumento nas infecções. No Rio de Janeiro, por exemplo, foram confirmados 269 casos entre janeiro e 3 de novembro de 2026, mais que o dobro dos 119 registrados durante todo o ano passado.
Na capital fluminense, o painel EpiRio contabilizou 196 casos neste ano, ante 94 em 2025. Não houve mortes pela doença nos dois períodos, segundo informações da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) enviadas ao Estadão.
A secretaria informou que a Vigilância Epidemiológica identificou um aumento recente das notificações e acompanha a evolução do cenário. Questionada sobre a possibilidade de reforçar a vacinação, a pasta afirmou que a decisão compete ao Ministério da Saúde.
A vacinação contra a mpox começou no Brasil em 2023, após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberar o uso provisório do imunizante Jynneos, também conhecido como Imvanex, produzido pela farmacêutica Bavarian Nordic.
A estratégia nacional prioriza pessoas que vivem comHIV/Aids e apresentam contagem de linfócitos CD4 inferior a 100 células/mm³, grupo com maior risco de desenvolver formas graves da doença. Para esse público, o esquema prevê duas doses, com intervalo de 28 dias.
A orientação do Ministério da Saúde é que essas pessoas procurem os centros de referência onde já fazem acompanhamento para realizar o cadastro e receber informações sobre o agendamento.
Também podem receber doses remanescentes:
A vacinação também pode ser indicada após exposição ao vírus. A recomendação é que a aplicação ocorra preferencialmente nos primeiros quatro dias depois do contato com uma pessoa infectada, mas pode ser realizada em até 14 dias. Nesse intervalo, a efetividade para evitar a infecção é menor, embora a imunização possa contribuir para reduzir o risco de evolução para formas graves.
O mpox, anteriormente conhecido como varíola dos macacos, é uma doença viral zoonótica que pode ser transmitida entre pessoas, principalmente pelo contato próximo com alguém infectado.
A transmissão ocorre por meio do contato direto com lesões na pele, fluidos corporais e secreções respiratórias. Objetos contaminados, como roupas, toalhas e lençóis, também podem favorecer a disseminação do vírus.
Os sintomas incluem febre, dor de cabeça, dores musculares, calafrios, cansaço e aumento dos linfonodos, popularmente conhecidos como ínguas. A doença também provoca erupções cutâneas que começam como manchas, evoluem para bolhas e formam crostas. As lesões podem aparecer no rosto, nas mãos, nos pés, na boca e nas regiões genital e anal.
Segundo o Ministério da Saúde, a maioria dos casos apresenta evolução leve a moderada. Os sintomas costumam durar de duas a quatro semanas, e o tratamento busca aliviar o desconforto e cuidar das lesões.
A principal recomendação é evitar contato físico direto com lesões na pele ou mucosas de pessoas com suspeita ou confirmação da doença. Também é indicado evitar contato íntimo e relações sexuais diante de sintomas suspeitos, até a avaliação por um profissional de saúde.
Outras medidas de prevenção incluem:
Pessoas infectadas devem evitar contato físico próximo até a completa cicatrização das lesões e a formação de uma nova camada de pele. Quem teve contato próximo com alguém com suspeita ou confirmação de mpox também deve procurar um serviço de saúde para avaliação do risco de exposição.
O monitoramento epidemiológico é realizado em parceria com as secretarias estaduais e municipais de saúde. As medidas incluem notificação de casos suspeitos, investigação epidemiológica, diagnóstico laboratorial, isolamento das pessoas infectadas e identificação e orientação de contatos.
Glossário
O que é mpox?
Doença viral zoonótica transmitida por contato próximo, com sintomas como febre, dores musculares e erupções cutâneas que evoluem para bolhas e crostas.
O que é o Ministério da Saúde?
Responsável pela gestão e coordenação das ações de saúde pública no Brasil, incluindo prevenção, controle de epidemias e distribuição de vacinas.
O que é o Sistema Único de Saúde (SUS)?
Sistema público brasileiro que oferece serviços de saúde gratuitos e universais a toda a população, abrangendo atenção básica, especializada e hospitalar.
O que é HIV/Aids?
Virose que destrõe o sistema imunológico, podendo levar ao síndrome de imunodeficiência adquirida (Aids) se não tratada, com transmissão por sangue, fluidos sexuais e de mãe para filho durante a gravidez ou amamentação.