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Londres proíbe propaganda do Catar por homofobia e sofre retaliações econômicas

A capital do Reino Unido proibiu a propaganda do anfitrião da Copa do Mundo por causa da posição sobre os direitos LGBT+ e trabalhadores migrantes

Oxford Street, em Londres. REUTERS/Peter Nicholls/File Photo (Peter Nicholls/Reuters)

Oxford Street, em Londres. REUTERS/Peter Nicholls/File Photo (Peter Nicholls/Reuters)

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Carlo Cauti

26 de novembro de 2022, 08h07

A Autoridade de Transporte Urbano de Londres proibiu qualquer propaganda do Catar em ônibus, táxis e metrô por causa das posições do país árabe sobre direitos LGBT+ e do tratamento aos trabalhadores migrantes. Como retaliação, Catar começou uma revisão de seus investimentos na capital britânica.

O Catar veiculou uma campanha publicitária turística no Reino Unido antes da Copa do Mundo, especialmente em Londres, pois quer usar o torneio para promover o país internacionalmente.

Já em 2019, o prefeito de Londres, Sadiq Khan, pediu à Autoridade de Transporte Urbano que revisasse as autorizações para propaganda e o patrocínio de países com leis anti-LGBT+. Isso levou à suspensão de novos anúncios de 11 países, incluindo Catar, Paquistão, Brunei e Arábia Saudita.

A Autoridade londrina admitiu que “alguns” anúncios do Catar foram veiculados na rede desde então. A proibição total só ocorreu essa semana após protestos de times europeus na Copa do Mundo que foram impedidos de usar braçadeiras em apoio aos direitos LGBT+.

Em resposta, o Catar informou que “revendo seus investimentos atuais e futuros” em Londres e “considerando oportunidades de investimento em outras cidades do Reino Unido e outros países”.

Segundo o governo do país árabe, a proibição da propaganda “foi interpretada como uma mensagem do gabinete do prefeito de que os negócios do Catar não são bem-vindos em Londres”.

"Esse é outro exemplo flagrante de dupla moral e sinalização de virtude para marcar pontos políticos baratos na Copa do Mundo do Catar”, informaram autoridades do país árabe, que lembrou como a autoridade de transporte de Londres, "aceita propaganda dos Emirados Árabes Unidos e da Arábia Saudita e tem vários interesses comerciais na China, mas não há sinalização de que esses acordos serão cancelados”.

Proibição da propaganda do Catar em Londres vai custar caro

Ainda não foi calculado o impacto econômico que essa retaliação do Catar pode ter sobre a economia de Londres e do Reino Unido. Nas últimas duas décadas, o Catar tornou-se um dos maiores investidores em Londres por meio de seu fundo soberano de US$ 450 bilhões.

A Qatar Investment Authority é proprietária da loja de departamento Harrods, o icônico edifício Shard e é co-proprietária da Canary Wharf. O estado do Golfo também possui o Chelsea Barracks, os hotéis Savoy e Grosvenor House e uma participação de 20% no aeroporto de Heathrow.

Em maio, o Catar tinha anunciado um investimento de 10 bilhões de libras em cinco anos no Reino Unido através do fundo soberano es setores de tecnologia, saúde, infraestrutura e energia limpa.

Além disso, o Reino Unido procurou garantir o fornecimento de gás do Catar após a crise energética desencadeada pela invasão da Ucrânia pela Rússia. O país árabe é o maior exportador mundial de gás natural liquefeito, e atualmente é um importante fornecedor de energia para os britânicos.

A seleção do Catar se tornou a primeira equipe a sair do torneio, tendo disputado apenas duas partidas.