A acusação ocorre em meio a um cenário de crescentes tensões (Piero Cruciatti/AFP)
Redação Exame
Publicado em 17 de janeiro de 2026 às 18h31.
O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, acusou neste sábado (17) o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de ser o responsável pelos protestos violentos que abalaram o país nas últimas semanas, afirmando que "vários milhares" de pessoas morreram durante os distúrbios.
Em um discurso durante evento religioso em Teerã, Khamenei classificou os protestos como um "complô americano" e afirmou que Trump interveio pessoalmente, enviando ameaças e mensagens de apoio militar aos manifestantes.
"Consideramos o presidente dos Estados Unidos culpado pelas vítimas, pelos danos e pelas acusações que dirigiu à nação iraniana", declarou a autoridade máxima do país.
Até então, o governo iraniano não havia divulgado um número oficial de mortos. Organizações de oposição no exílio estimam cerca de 3.428 mortes e 19 mil detenções. Em seu pronunciamento, Khamenei citou uma série de danos atribuídos aos manifestantes, incluindo a destruição de mais de 250 mesquitas, centros educacionais e ataques a bancos, infraestrutura elétrica e estabelecimentos comerciais.
Os protestos tiveram início em 28 de dezembro como manifestações econômicas em Teerã, mas rapidamente se espalharam e ganharam contornos políticos, com gritos contra o regime e contra o próprio Khamenei. Os dias mais intensos ocorreram em 8 e 9 de janeiro, com atos de vandalismo generalizados, segundo a versão oficial.
Apesar de descartar levar o país a uma guerra, Khamenei prometeu que os "criminosos internos e internacionais" não ficariam impunes e que os EUA "devem prestar contas". A acusação ocorre em meio a um cenário de crescentes tensões, após Trump ter ameaçado anteriormente atacar o Irã caso a violência se intensificasse.