Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, ao ser levado por agentes para audiência em Nova York (XNY/Star Max/GC Images/Getty Images)
Redação Exame
Publicado em 4 de fevereiro de 2026 às 15h40.
A Justiça argentina solicitou aos Estados Unidos, nesta quarta-feira, 4, a extradição do líder venezuelano Nicolás Maduro para que ele responda a acusações de crimes contra a humanidade. A informação consta em uma decisão judicial vista pela AFP.
Segundo o documento, um juiz argentino emitiu um pedido internacional às autoridades americanas para a extradição de Maduro com o objetivo de interrogá-lo no âmbito de uma investigação baseada no princípio da jurisdição universal.
Em 2024, a Justiça argentina já havia solicitado a captura internacional de Maduro no mesmo processo. A ação tem origem em duas denúncias apresentadas pela Fundação Clooney para a Justiça e, separadamente, pelo Foro Argentino para a Defesa da Democracia.
Em 2023, as duas organizações denunciaram o governo da Venezuela por violações de direitos humanos perante a Justiça argentina, com base na jurisdição universal. As ações foram posteriormente unificadas em um único processo.
De acordo com a decisão, a Justiça argentina identificou a existência de um “plano sistemático de repressão, desaparecimento forçado de pessoas, tortura, homicídios e perseguição contra uma parcela da população civil” desde 2014 “até o presente”.
Além de Maduro, foram expedidas ordens de prisão para interrogatório de seu ministro do Interior e aliado político, Diosdado Cabello.
Maduro está atualmente detido em Nova York, após ter sido capturado em uma operação militar dos Estados Unidos em Caracas, na madrugada de 3 de janeiro. Após a captura, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu o poder de forma interina.
O líder venezuelano também é acusado de tráfico de drogas e terrorismo pela Justiça dos Estados Unidos. A próxima audiência do processo está prevista para 17 de março, em Nova York.
A Justiça argentina já recorreu à jurisdição universal em outros casos. Em 2021, abriu uma investigação sobre acusações de crimes cometidos por militares de Mianmar contra a minoria muçulmana. No ano seguinte, iniciou uma investigação criminal contra o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega.
*Com informações da AFP