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Já encharcada, Califórnia aguarda uma última enchente; Biden declara estado de catástrofe

Novo rio atmosférico deve retornar na segunda-feira, ou seja, uma faixa de umidade que carrega grandes quantidades de água dos trópicos; ao menos 19 pessoas morreram desde o início dos eventos climáticos

Enchente na Califórnia: Biden teve de decretar estado de catástrofe no estado (Romain FONSEGRIVES/AFP/AFP)

Enchente na Califórnia: Biden teve de decretar estado de catástrofe no estado (Romain FONSEGRIVES/AFP/AFP)

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Estadão Conteúdo

16 de janeiro de 2023, 07h26

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, declarou estado de grave catástrofe na Califórnia, onde já eram esperadas novas tempestades no domingo, 15, após três semanas de chuvas recordes que mataram pelo menos 19 pessoas.

Biden ordenou ajuda federal para ajudar os habitantes e municípios do Estado, no oeste do país, a reparar os danos que vem sendo causados desde 27 de dezembro pelas violentas tempestades de inverno, que causaram inundações e deslizamentos de terra, segundo um comunicado da Casa Branca.

Uma impressionante onda de chuvas - e nevascas nas áreas montanhosas - devastou muitas áreas do estado mais populoso do país, cujos solos já alagados estão chegando ao ponto de saturação.

Um novo rio atmosférico deve retornar na segunda-feira, ou seja, uma faixa de umidade que carrega grandes quantidades de água dos trópicos. O Serviço Nacional de Meteorologia (NWS) alertou que trará novas ondas de precipitação extrema.

As linhas de energia foram danificadas e os campos e estradas foram totalmente inundados. O NWS alertou sobre inundações desastrosas na região de Salinas, uma importante área agrícola ao sul de San Francisco.

O governador da Califórnia, Gavin Newsom, alertou a população de que ainda não está segura: "Não acabou", disse no sábado, após visitar os habitantes afetados pelas tempestades. Newsom pediu aos moradores que permaneçam vigilantes e continuem exercendo "bom senso ao longo das próximas 24 a 48 horas".

Ordem de retirada

Mais chuva e neve caíram durante o fim de semana na Califórnia, tornando as viagens perigosas e exigindo novas ordens de retirada de moradores devido a preocupações com inundações ao longo de um rio cheio perto de Sacramento.

Ondas de tempestades com rajadas de vento começaram no sábado no norte e se espalharam para o sul, com outra tempestade atmosférica seguindo após o domingo, disse o Serviço Nacional de Meteorologia.

Cerca de 26 milhões de californianos permaneceram sob vigilância de enchentes na noite de sábado, de acordo com o NWS, e dezenas de milhares receberam ordens de retiradas. Desde a meia-noite de domingo (horário local, 5 horas em Brasília), havia mais de 16.000 residências sem energia, de acordo com poweroutage.us.

Na região de Salinas, cidade de 160 mil habitantes ao sul de San Francisco, onde transbordou o rio de mesmo nome, a enchente afetou os recantos agrícolas do vale, mas não atingiu as áreas urbanas. Sob céu nublado e chuva intermitente, o curso d'água escapou de seu leito em alguns pontos, inundando centenas de metros de campos.

Numa das áreas, dois tratores com equipamentos de bombeamento devolveram ao rio a água acumulada pelas chuvas dos últimos dias para evitar que o solo alagasse por completo.

Uma série de tempestades tem assolado a Califórnia nas últimas semanas. As breves interrupções mal dão às autoridades tempo para limpar os detritos ou restaurar a energia. E segundo meteorologistas, o clima extremo ainda não acabou.

Um metro de neve

Na montanha, este fenômeno se traduz em fortes nevascas, com previsão de mais de um metro durante o fim de semana na Serra Nevada, pelo que as autoridades alertam para o risco de avalanches e desaconselham qualquer deslocamento.

Imagens divulgadas pelas autoridades de uma importante rodovia na região do lago Tahoe mostram dezenas de carros parados em uma tempestade de neve na manhã de sábado.

Pelo menos 19 pessoas morreram desde o início desta série de eventos climáticos. A Califórnia está acostumada com o clima extremo e as tempestades de inverno. Porém, cientistas dizem que as mudanças climáticas, alimentadas pela queima de combustíveis fósseis, está tornando esses eventos mais ferozes.

Embora esteja causando desastres de curto prazo, a chuva é muito necessária no oeste americano, onde mais de duas décadas de seca impuseram restrições sem precedentes ao uso da água. No entanto, especialistas alertam que mesmo as chuvas monstruosas que atingiram a região este mês não vão reverter mais de 20 anos de chuvas abaixo da média.

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