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Irã liberta 85 mil prisioneiros em reação ao coronavírus

Para conter surto de coronavírus, autoridades no Irã liberaram temporariamente prisioneiros, entre eles políticos

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Coronavírus: Irã registra 988 mortes e 16.169 casos confirmados (Alaa al-marjan/Reuters)

Coronavírus: Irã registra 988 mortes e 16.169 casos confirmados (Alaa al-marjan/Reuters)

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Reuters

Publicado em 17 de março de 2020 às, 10h13.

O Irã libertou temporariamente cerca de 85 mil prisioneiros, inclusive políticos, em reação à epidemia de coronavírus, informou um porta-voz do Judiciário nesta terça-feira.

O número de mortes provocadas pelo coronavírus no país chegou a 988, e um total de 16.169 infecções foram confirmadas, em um dos piores surtos da doença fora da China, onde o novo vírus surgiu.

"Até agora, cerca de 85 mil prisioneiros foram soltos... além disso, adotamos medidas de precaução nas prisões para confrontar o surto", disse o porta-voz do Judiciário, Gholamhossein Esmaili.

Ele não detalhou quando os presos libertos terão que voltar às celas.

Um dia depois de o Irã libertar 70 mil prisioneiros no início de março, o relator especial das ONU para os direitos humanos no Irã, Javaid Rehman, disse que pediu para Teerã soltar todos os prisioneiros políticos temporariamente de suas prisões superlotadas e infestadas de doenças para ajudar a conter a propagação do coronavírus.

Rehman disse que só aqueles que cumprem penas menores de cinco anos foram libertados, enquanto detentos com penas maiores e aqueles responsabilizados por participarem de protestos anti-governo continuaram presos.

O Irã soltou ao menos uma dúzia de prisioneiros políticos nos últimos dias, de acordo com ativistas e grupos de direitos humanos, mas prisioneiros políticos destacados permanecem trancafiados.

Os Estados Unidos pediram a libertação de dúzias de presos com dupla nacionalidade ou estrangeiros detidos sobretudo por acusações de espionagem no Irã, dizendo que Washington responsabilizará o governo diretamente por qualquer morte de norte-americanos.

Os governantes clericais iranianos se recusaram a interditar cidades, apesar do número de mortes crescente e da incidência de casos novos, mas exortaram as pessoas a evitarem viajar ao exterior antes do Ano Novo do Irã, em 20 de março, em meio aos temores de uma disseminação maior do vírus.

Muitos iranianos ignoraram os apelos das autoridades de saúde para que fiquem em casa, e lojas e restaurantes continuam abertos na nação. Uma medida rara foi o establishment interditar os sítios e santuários muçulmanos sagrados de Mashhad e Qom, o epicentro do surto de coronavírus no Irã.

Autoridades disseram que as sanções dos EUA, reimpostas a Teerã desde que Washington se desligou do acordo nuclear de 2015 com o regime e seis potências, atrapalham a luta do Irã contra a doença.

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