Abbas Araghchi: ministro das Relações Exteriores do Irã (OZAN KOSE/AFP)
Repórter
Publicado em 25 de fevereiro de 2026 às 07h40.
O chanceler do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que um acordo com os Estados Unidos sobre o programa nuclear de Teerã está “ao alcance da mão”, enquanto o presidente Donald Trump elevou o tom e acusou o país de ampliar a capacidade de mísseis com potencial de atingir território americano.
As declarações ocorreram às vésperas de um novo ciclo de negociações entre os dois países.
Autoridades iranianas reiteraram que a obtenção de um entendimento depende da priorização da via diplomática e negaram a intenção de desenvolver armas nucleares, ao mesmo tempo em que reafirmaram o direito ao uso civil da tecnologia nuclear.
Do lado norte-americano, o discurso oficial de Trump voltou a associar o programa iraniano a riscos diretos à segurança dos EUA e de aliados.
Irã e Estados Unidos devem realizar um novo ciclo de conversas sobre o programa nuclear em Genebra, com mediação de Omã. O diálogo ocorre em meio ao envio recente de forças militares americanas ao Oriente Médio e às ameaças de ação militar caso não haja acordo.
O porta-voz da diplomacia iraniana, Esmail Baqai, rejeitou as acusações de que Teerã amplia capacidades militares para fins nucleares e classificou as declarações de Washington como infundadas. O governo iraniano afirma que não desenvolverá arma nuclear e que seu programa tem finalidade civil.
Washington e Teerã já haviam participado de cinco rodadas de negociações, interrompidas após ataques de Israel contra alvos iranianos em junho, que levaram a uma escalada militar regional.
Os EUA intervieram no conflito e bombardearam instalações nucleares do Irã. Desde então, o governo americano reforçou o envio de meios militares para a região, incluindo porta-aviões.
Trump reiterou ao Congresso que prefere uma solução diplomática, mas afirmou que não permitirá que o Irã obtenha uma arma nuclear. Autoridades iranianas responderam que qualquer ataque será tratado como ato de agressão e receberá resposta proporcional.
Manifestações voltaram a ocorrer em universidades de Teerã, com atos favoráveis e contrários ao governo. Em campi da capital, houve confrontos entre grupos de estudantes, além de registros de protestos contra símbolos do regime.
A porta-voz do governo iraniano, Fatemeh Mohajerani, afirmou que estudantes têm direito de se manifestar, mas destacou que existem “limites” e que símbolos do Estado, como a bandeira, não devem ser alvo de ataques.
Os protestos ocorrem em um contexto de tensão após a repressão violenta registrada no início do ano. Organizações de direitos humanos apontam milhares de mortos durante a resposta das forças de segurança, enquanto o governo iraniano contesta os números e atribui a violência a ações de grupos considerados terroristas por Teerã.
Relatórios da Human Rights Watch indicam a continuidade de prisões e denúncias de tortura, confissões forçadas e execuções sem devido processo legal. Autoridades iranianas negam abusos e afirmam que as operações visam preservar a ordem pública.
O agravamento da repressão levou Washington a ampliar a presença militar no Oriente Médio, com o envio de porta-aviões, enquanto a Guarda Revolucionária do Irã iniciou exercícios militares na costa do Golfo em resposta às ameaças.
*Com informações da AFP