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Irã alerta que eventual guerra contra os EUA seria 'catastrófica' para todos

Governo iraniano enfatizou que ainda há possibilidade de um entendimento diplomático que assegure que o país não desenvolverá armas nucleares

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 1 de fevereiro de 2026 às 17h51.

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O Irã alertou neste domingo, 1º de fevereiro, que um eventual conflito armado com os Estados Unidos “seria uma catástrofe para todos”, embora “não seja inevitável”.

Segundo o governo iraniano, ainda há possibilidade de um entendimento diplomático que assegure que o país não desenvolverá armas nucleares, enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, manifestou interesse em um novo pacto com Teerã.

Em entrevista concedida à emissora norte-americana CNN, em Teerã, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou: “Não considero (a guerra) uma ameaça existencial, mas sem dúvida será uma grande ameaça para todos. Se uma guerra começar, seria uma catástrofe para todos”.

Araghchi apontou que, devido à presença militar dos Estados Unidos em diversas partes do Oriente Médio, “grandes partes da região seriam envolvidas, e isso seria extremamente perigoso”.

Também neste domingo, o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, reforçou o alerta, afirmando que um conflito entre os dois países teria desdobramentos regionais.

As declarações surgem em meio à escalada das tensões, motivada pelo envio do porta-aviões USS Abraham Lincoln e de três contratorpedeiros norte-americanos à região do golfo Pérsico. A operação foi acompanhada por milhares de militares, enquanto o presidente Trump continuou ameaçando ações contra o Irã caso não haja um novo acordo.

'Confronto não é inevitável'

Na mesma entrevista, Araghchi pediu que prevaleça o diálogo. “Racionalidade é necessária para evitar uma guerra”, disse. Ao mesmo tempo, ressaltou que o país está preparado para reagir. “Posso dizer com absoluta certeza que nossas Forças Armadas estão prontas e equipadas, ainda mais do que na guerra anterior.”

O diplomata iraniano reiterou que um confronto com os Estados Unidos não é inevitável e defendeu a retomada de negociações. “É possível chegar a um acordo com os EUA que garanta que o Irã não obterá armas nucleares”, afirmou.

Ele também comentou sobre os canais indiretos de comunicação entre os dois países. “As trocas de mensagens por meio de intermediários têm sido frutíferas”, disse. No entanto, ressaltou que Teerã ainda busca reconstruir a confiança, abalada após a saída dos EUA do acordo nuclear de 2015 e os bombardeios a instalações nucleares iranianas durante o conflito de doze dias com Israel, em junho.

“Estamos trabalhando com nossos amigos na região para encontrar uma maneira de criar esse nível de confiança e retomar as negociações”, acrescentou.

Araghchi reforçou que o reconhecimento do direito ao enriquecimento de urânio para fins pacíficos é condição para qualquer entendimento. “Se a equipe de negociação dos Estados Unidos agir, de acordo com as declarações do presidente (Donald) Trump, com o objetivo de chegar a um acordo justo e equitativo que impeça a obtenção de armas nucleares, é possível chegar a um acordo”, concluiu.

A fala vem após Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, declarar na rede social X que há avanços na construção de uma nova estrutura para negociações com os Estados Unidos.

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