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Prédios caídos em Catia La Mar, na Venezuela (Henry Chirinos/EFE)
Repórter
Publicado em 29 de junho de 2026 às 11h42.
Última atualização em 29 de junho de 2026 às 11h42.
A venezuelana Dayana Patino, que foi resgatada ao lado de seu filho Juan David, de apenas 18 dias, relatou à BBC que o bebê foi a principal razão para que ela continuasse lutando pela sobrevivência sob os escombros. Segundo ela, o recém-nascido lhe deu a "motivação para permanecer acordada e alerta".
"Enquanto ele estivesse vivo, eu também estaria viva. De tempos em tempos, eu tocava o nariz dele para ter certeza de que ainda estava respirando", afirmou.
As imagens do resgate circularam pelo mundo e transformaram Juan David em um símbolo de esperança na Venezuela, devastada pelos dois terremotos que atingiram o país na quarta-feira e deixaram ao menos 1.450 mortos. Milhares de pessoas seguem desaparecidas no que o presidente interino descreveu como "a catástrofe natural mais brutal" da história venezuelana.
As operações de busca continuam, embora as esperanças de encontrar mais sobreviventes diminuam a cada hora — é a trágica realidade dessas operações.

Em uma clínica em Caracas, no domingo, Dayana relembrou as horas de terror que passou soterrada, abraçada ao filho e rezando para que ambos fossem resgatados. Ela contou que lavava a louça em seu apartamento, no oitavo andar de um edifício na região costeira de La Guaira, quando os tremores começaram. Imediatamente, correu para pegar o bebê nos braços, acreditando que se tratava de "apenas um tremor leve".
"Eu senti como se estivesse voando. Depois disso, parecia que afundava em água e terra, e então caí no buraco onde permaneci. Não sei como não soltei meu bebê, porque eu estava voando. Fiquei prensada contra os móveis", relatou.
Segundo Dayana, seu primeiro impulso foi gritar por socorro, mas ela logo percebeu que ninguém conseguia ouvi-la sob os escombros.
Percebendo que ninguém respondia aos seus pedidos de ajuda, Dayana conta que decidiu poupar forças. "Eu disse a mim mesma que não iria desperdiçar minha energia. Eu só gritaria quando fosse necessário, quando ouvisse vozes ou passos por perto", relatou.
Ela contou que, apesar da situação extrema, conseguiu manter a calma, mesmo estando gravemente presa sob os destroços. "Não sei como consegui ficar tão calma, porque minha perna esquerda estava presa sob o concreto. Eu não conseguia me mover. Minha têmpora estava pressionada contra uma pedra", disse.A esperança, segundo ela, renasceu quando percebeu que havia uma Bíblia ao seu alcance. "Ali começou a minha jornada de sobrevivência", afirmou.
Na escuridão dos escombros, Dayana disse enxergar apenas "um pequeno ponto de luz que parecia a Lua". O momento decisivo para o resgate aconteceu quando ouviu o irmão chamando seu nome.
"Eu disse a mim mesma: esta é a minha única chance. Com toda a força dos meus pulmões, gritei... Berrei: 'Estou aqui' com toda a minha força, e ele respondeu: 'Eu te encontrei e prometo que não vou sair daqui até tirar você daí'", relembrou.
O irmão cumpriu a promessa. Em seguida, equipes de resgate realizaram uma delicada operação para retirar a mãe e o bebê dos escombros na noite de quinta-feira.
Dayana sofreu ferimentos nas duas pernas em consequência do terremoto. Juan David, por sua vez, escapou com apenas lesões leves, tornando-se um símbolo de esperança em meio à tragédia que abalou a Venezuela.
O marido de Dayana, Gerson, havia acabado de chegar em casa e estacionar o carro quando os terremotos atingiram a região. Ele conseguiu escapar pulando uma cerca, mas, ao ver o estado do prédio onde a família morava, temeu o pior.
O resgate da esposa e do filho, segundo ele, foi "um milagre". Em imagens que correram o mundo, Gerson aparece abraçando o bebê, emocionado. "Foi indescritível. Achei que eles estavam mortos. Quando vi meu filho, senti como se tivesse nascido de novo. A vida voltou para mim", disse à BBC.
A família perdeu o apartamento e praticamente todos os seus pertences, além de ainda estar procurando o cachorro de estimação desaparecido. Apesar da devastação, Gerson afirmou que o casal está disposto a recomeçar. "Perdemos quase tudo, mas estamos aqui. Vamos reconstruir tudo o que perdemos", prometeu.Na avaliação do governo brasileiro, as tarifas impostas pelos Estados Unidos são "injustificadas e arbitrárias"
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