Redação Exame
Publicado em 20 de janeiro de 2026 às 07h02.
Última atualização em 20 de janeiro de 2026 às 07h45.
Os incêndios florestais no sul do Chile deixaram ao menos 20 mortos e seguem fora de controle em parte do território, com novos focos registrados nesta segunda-feira, 20, na região de Araucanía, segundo autoridades locais. As chamas já devastaram cerca de 35 mil hectares e atingiram aproximadamente mil residências, entre destruídas e danificadas.
As áreas mais afetadas até agora são Ñuble e Biobío, a cerca de 500 quilômetros ao sul de Santiago, onde bombeiros e brigadas de emergência atuam pelo terceiro dia consecutivo. Em balanço divulgado nesta tarde, o presidente Gabriel Boric afirmou que parte dos incêndios foi controlada ou delimitada, mas ressaltou que ainda há focos “bastante ativos” exigindo esforço intenso das equipes.
A situação se agravou com a propagação do fogo para Araucanía, região vizinha a Biobío. Segundo Boric, a abertura de novos focos obriga a redistribuição das forças de combate, em um cenário de alta pressão operacional. Biobío permanece como o epicentro da tragédia, com localidades como Lirquén e Penco praticamente arrasadas.
O ministro do Interior, Álvaro Elizalde, confirmou a morte de mais uma pessoa em Biobío, elevando o total de vítimas fatais para 20. A maioria morreu após ser alcançada pelas chamas durante a rápida expansão do incêndio na madrugada de domingo.
Moradores relatam cenas de fuga em meio ao avanço do fogo. Em Lirquén, a residente Yagora Vásquez contou que tentou proteger a casa, mas precisou abandonar o local às pressas ao perceber a aproximação das chamas. “Peguei meu filho, meu irmão levou o cachorro e fugimos”, disse.
Com bairros inteiros destruídos, militares passaram a vigiar áreas devastadas, onde ruas ficaram tomadas por carros carbonizados e casas reduzidas a escombros. Em algumas localidades, o cenário foi comparado por moradores ao tsunami que atingiu a região em 2010, embora muitos afirmem que a destruição atual seja ainda mais severa.
Apesar de uma leve queda nas temperaturas nesta segunda-feira — em torno de 25°C, abaixo dos picos registrados no fim de semana —, especialistas alertam que o histórico de seca prolongada e o aumento das temperaturas extremas têm favorecido a propagação do fogo. Segundo o Centro de Ciência do Clima e da Resiliência, áreas do sul chileno chegaram a registrar 41°C, patamar considerado sem precedentes.
Nos últimos anos, os incêndios se tornaram recorrentes no Chile centro-sul. Em 2024, focos simultâneos nos arredores de Viña del Mar deixaram 138 mortos. Também há registros recentes de incêndios de grandes proporções na Patagônia argentina, onde mais de 15 mil hectares foram queimados.
Diante da dimensão da crise, Boric se reuniu nesta segunda-feira, no Palácio de La Moneda, com o presidente eleito José Antonio Kast, que assume o governo em 11 de março. Segundo o atual mandatário, a conversa tratou das ações de combate ao fogo e do processo de reconstrução, que deverá ser conduzido pela próxima gestão.
*Com informações da AFP