Imprensa dos EUA critica duramente legado de Chávez

O "Journal" não hesita em qualificar ao presidente venezuelano morto ontem de "um clássico "petroditador"

Washington - As principais publicações da imprensa americana amanheceram nesta quarta-feira repletas de editoriais e artigos de opinião, a maioria muito críticos, sobre a herança que o presidente venezuelano Hugo Chávez deixou ao seu país.

As páginas editoriais do "The Wall Street Journal", o jornal de maior difusão no país, intitula seu editorial de hoje com um breve "Hugo Chávez", e nele destaca "a lição" que em sua opinião é possível aprender dos sucessivos governos de Chávez: "que é preciso ter cuidado com os mandatos de demagogos carismáticos".

O "Journal" não hesita em qualificar ao presidente venezuelano morto ontem de "um clássico "petroditador"" que "demonstrou que é possível navegar contra as ondas da história, pelo menos durante um tempo, se você tem sorte e encontra uma época de bonança pelos lucros derivados do petróleo".

"Esse dinheiro o permitiu comprar muita influência e ganhar o apoio político dos pobres, do exército e dos "novos ricos". Esperamos que os venezuelanos aproveitem essa oportunidade para queimar o trágico legado do Chavismo junto com o cadáver de seu criador", prossegue o editorial.

O editorial do jornal critica até mesmo o ex-presidente americano Jimmy Carter, provavelmente por suas palavras de pêsames pela morte de Chávez ontem: "Chávez fazia o tipo de eleição que só Jimmy Carter poderia abençoar", conclui o periódico.


Com uma contundência semelhante se colocou o segundo jornal mais lido pelos americanos, o "USA Today", que intitula seu editorial "Hugo Chávez, um homem melhor (quando) ignorado".

No texto, apontam o "sucesso" atingido pelos EUA ao ter esperado "até o fim de seu antagonista" e afirmam que "a lição que é preciso aprender é que os esquerdistas populistas se criam permanentemente na feitoria política sul-americana, e que a melhor maneira de lidar com eles é esperar que caiam sozinhos".

"Poucos americanos lamentarão a morte de Hugo Chávez, o carismático líder esquerdista que, incansável, foi hostil aos EUA durante os 14 anos em que esteve à frente da Venezuela", afirma o "USA Today", para acrescentar que, "o fato mais importante", segundo sua opinião, é que a morte "importará a poucos".

O "Miami Herald" da Flórida (estado com uma grande presença de comunidade venezuelana) também dedica seu editorial à morte de Chávez, sob o título: "A Venezuela de Hugo Chávez e seu legado de roubos".

"Seu regime bolivariano premiava os simpatizantes e castigava os oponentes, permitindo grandes corrupções e a criação de uma nova classe de oligarcas avarentos com conexões políticas", aponta o "Herald", que também destaca que "infelizmente para a Venezuela, o presidente era um gerente incompetente e um economista pior".

"Até se forem restauradas as instituições democráticas, ninguém será capaz de refrear a espiral decadente que impera na Venezuela desde o dia em que Hugo Chávez foi eleito presidente", conclui o diário de Miami.


Por sua vez, "The New York Times" e "The Washington Post" não dedicaram editoriais à morte de Chávez, mas sim extensos artigos noticiários.

O "Post" destaca na capa "O líder anti-EUA havia prometido a revolução" e em suas páginas interiores assinala que "um Chávez desafiante culpava aos EUA das aflições de sua região".

Por sua vez, "The New York Times" aponta em sua edição digital que "Para o bem e para o mal, Chávez alterou a forma como a Venezuela se vê".

Poucas vozes favoráveis a Chávez e seu legado foram ouvidas hoje entre os jornalistas dos EUA, com exceção de modestas publicações progressistas como a revista "The Nation", em que o jornalista Greg Grandin, que lidou pessoalmente com Chávez, assina um artigo intitulado "Sobre o legado de Hugo Chávez".

"A riqueza do petróleo tem muito a ver com sua excepcionalidade, como também teve a ver com a elite democrática que existia antes de sua chegada", escreve Grandin.

"E daí? Chávez fez o que os políticos racionais do mundo neoliberal devem fazer: tirar proveito das vantagens comparativas da Venezuela para fundar organizações sociais e lhes dar um poder e uma liberdade sem precedentes", naturaliza o jornalista do "The Nation". 

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