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Homem mais rico da Rússia quer exportar medicamento contra covid-19

O fármaco passa por testes de fase 3 em pacientes de covid-19 na Rússia e em breve expandirá os ensaios para a Eslováquia

Uma farmacêutica que pertence ao homem mais rico da Rússia, Vladimir Potanin, espera que seu medicamento para a covid-19, desenvolvido no país, possa ajudar a empresa a entrar em lucrativos mercados de exportação.

O medicamento polioxidônio, desenvolvido pela NPO Petrovax Pharm, é usado para infecções respiratórias por vírus e como reforço de vacinas. O fármaco passa por testes de fase 3 em pacientes de covid-19 na Rússia e em breve expandirá os ensaios para a Eslováquia, disse o presidente da empresa, Mikhail Tsyferov, em entrevista.

Os resultados preliminares do ensaio são esperados para fevereiro e serão publicados em revistas revisadas por pares, de acordo com Tsyferov. “Esta é a nossa passagem para os mercados de exportação”, afirmou.

A Rússia, com o quinto maior número de casos de covid-19 do mundo, enfrenta uma segunda onda da pandemia que ameaça sobrecarregar o sistema hospitalar. Na terça-feira, foram registrados 24.326 novos casos, perto do nível recorde divulgado na segunda-feira, 23.

Até o momento, não há medicamentos para tratar a covid-19, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. Na semana passada, o órgão desaconselhou o uso do antiviral remdesivir, da Gilead Sciences, um dos medicamentos administrados ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quando foi diagnosticado com a doença em outubro.

A abordagem para testar o polioxidônio — registrado para uso desde 1996 para várias doenças na Rússia, em algumas ex-repúblicas da União Soviética e mais tarde na Eslováquia — difere da pressa do Kremlin em autorizar vacinas experimentais contra a covid-19 antes de serem totalmente examinadas.

Imunidade

Em agosto, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou que o país permitiria o uso generalizado de uma vacina para a covid-19 antes que os testes estabelecessem sua segurança e eficácia. Uma segunda vacina em teste foi aprovada em outubro e uma terceira é esperada antes do final do ano.

O polioxidônio é um medicamento imunotrópico que ajuda a estimular o sistema imunológico. Pacientes com covid-19 podem ficar doentes porque seus sistemas imunológicos não reagem o suficiente para protegê-los do vírus, sugerindo que tal tratamento pode ajudar, de acordo com pesquisa de cientistas da Escola de Medicina da Universidade de Washington em St. Louis, publicada em agosto.

Testes clínicos com o medicamento para tratar a covid-19 começaram em abril e demonstraram que o fármaco não provoca uma resposta imunológica excessiva, disse Tsyferov. Segundo ele, 330 pacientes participam do teste russo e a Petrovax espera incluir 25 pessoas em um ensaio na Eslováquia aprovado por autoridades de saúde neste mês. A pesquisa é realizada segundo os protocolos da OMS, de acordo com a Petrovax.

A Petrovax também realiza vários testes paralelos, inclusive para testar se o medicamento funciona como prevenção para médicos que tratam o coronavírus. Um estudo recente incluiu 81 pessoas com casos moderados a graves de covid-19, sendo 80% com suporte de oxigênio, e não houve mortes, de acordo com Tsyferov.

Vacina da CanSino

Se o ensaio principal provar sua eficácia, a Petrovax planeja registrar o uso de polioxidônio para casos de covid-19 além da Rússia e Eslováquia. A Petrovax está em contato com pesquisadores em Oxford e Munique, enquanto seus especialistas sugeriram o pedido de registro na Alemanha, no Reino Unido e nos Estados Unidos, disse Tsyferov. O trabalho de preparação dos pedidos já foi iniciado.

A empresa tem capacidade para produzir até 15 milhões de doses por ano e atualmente vende 2,5 milhões por ano.

A Petrovax, que tem um acordo para produzir localmente a vacina contra a covid-19 da CanSino Biologics, planeja investir 1 bilhão de rublos (13 milhões de dólares) para expandir a produção de vacinas.

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