Ucrânia: impasse territorial trava avanço do plano de paz mediado pelos EUA (Sergey Bobok/Getty Images)
Redação Exame
Publicado em 24 de dezembro de 2025 às 08h32.
O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, afirmou que as equipes negociadoras de seu país e dos Estados Unidos não chegaram a um acordo sobre questões territoriais nas conversas em andamento para encerrar a guerra contra a Rússia.
Segundo o líder ucraniano, temas considerados centrais, como o controle da região de Donetsk e da usina nuclear de Zaporíjia, não avançaram no nível técnico e exigem discussão direta entre chefes de Estado.
“Não foi alcançado um consenso com a parte americana em relação ao território da região de Donetsk e à central nuclear de Zaporíjia”, afirmou Zelenski, nesta quarta-feira, 24.
Zelenski disse buscar uma reunião com os Estados Unidos em nível de presidentes para tratar dos pontos considerados mais sensíveis do plano de paz.
O presidente não confirmou se esse diálogo incluiria o líder russo, Vladimir Putin, mas indicou que uma reunião com o chefe do Kremlin estava próxima, dentro dos esforços diplomáticos em curso.
O presidente reiterou que a decisão sobre a adesão da Ucrânia à Otan cabe exclusivamente à aliança militar, sem compromissos jurídicos prévios por parte de Kiev.
Zelenski afirmou que o país não abrirá mão da possibilidade de ingresso nem aceitará alterações na Constituição ucraniana para formalizar essa renúncia.
Ele lembrou que uma versão anterior do plano elaborado por Washington previa um compromisso legal nesse sentido, condição considerada inaceitável por Kiev e alinhada às exigências do Kremlin.
Em declarações a jornalistas, incluindo à AFP, Zelenski afirmou que o documento enviado à Rússia prevê explicitamente a realização de eleições após o encerramento da guerra.
Segundo o texto, o pleito deve ocorrer o mais rapidamente possível depois da assinatura de um acordo.
As eleições presidenciais estão suspensas desde o início do conflito, em razão da lei marcial. A retomada do processo eleitoral depende da normalização do cenário de segurança e do fim formal das hostilidades.
*Com informações de O Globo