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Guerra no Irã: Europa se mobiliza; França aumenta arsenal nuclear

Conforme a guerra no Irã se estende pelo Oriente Médio, as reverberações do conflito ecoam pelo resto do mundo – Europa se mobiliza com Alemanha, França e Reino Unido se declarando dispostos a tomar “ações defensivas”

Emmanuel Macron: presidente da França fez discurso ao lado de submarino (Yoan Valat/AFP)

Emmanuel Macron: presidente da França fez discurso ao lado de submarino (Yoan Valat/AFP)

Publicado em 2 de março de 2026 às 18h38.

Última atualização em 5 de março de 2026 às 11h46.

Os líderes da Alemanha, França e Reino Unido, que juntos formam o E3, um grupo composto pelas maiores potências da Europa, declararam estar dispostos a adotar medidas defensivas contra o Irã para defender seus interesses e os de seus aliados no Golfo.

Os três países europeus declararam-se "consternados com os ataques indiscriminados e desproporcionais com mísseis lançados pelo Irã contra países da região, incluindo aqueles que não participaram das operações militares iniciais dos Estados Unidos e de Israel".

"Adotaremos medidas para defender nossos interesses e os de nossos aliados na região, possivelmente por meio da adoção de medidas defensivas necessárias e proporcionais para destruir a capacidade do Irã de lançar mísseis e drones", afirmaram os países em um comunicado conjunto.

Reação da França

O presidente da França, Emmanuel Macron ( Handout/Anadolu via Getty Images) (Ukrainian Presidency / Handout/Anadolu via Getty Images)

O presidente francês, Emmanuel Macron, condenou abertamente a resposta “desproporcional” iraniana aos ataques conjuntos dos EUA e de Israel, se referindo aos bombardeios retaliatórios ao longo do Oriente Médio por Teerã.

O presidente também anunciou a ampliação de seu arsenal nuclear e a oferta de destacamento temporário de caças com capacidade atômica a países aliados, em uma reconfiguração da arquitetura de defesa europeia.

Macron disse ainda que Paris estaria “pronta para mandar recursos para proteger seus parceiros próximos” na região, alertando que o conflito “traria graves consequências” para a paz internacional.

O país, juntamente com o Reino Unido e a Alemanha, demonstrou disposição para ajudar a ação israelense-americana contra o regime, “potencialmente possibilitando ações defensivas necessárias e proporcionais para destruir a capacidade do Irã de disparar mísseis e drones de seu território.”

Reação da Alemanha

Friedrich Merz, premiê alemão (Ina Fassbender/AFP) (Ina Fassbender/AFP)

O chanceler alemão, Friedrich Merz, alertou que os ataques pelos EUA e Israel no Irã poderiam levar a outra situação parecida com o Iraque, mas disse que Berlim não planeja ensinar Washington, especialmente já que busca ajuda americana para trazer um fim à guerra na Ucrânia. O líder alemão também deve se encontrar com o presidente americano, Donald Trump, nessa terça, 3.

Além disso, Merz realçou que apesar de esforços diplomáticos, o Irã não se comprometeu a terminar seu programa de mísseis balísticos e não se mostrou disposto a chegar a um acordo sobre suas ambições nucleares, pontos-chave da diplomacia pré-guerra defendidos pelos EUA.

Reino Unido

Keir Starmer, premiê do Reino Unido (Justin Tallis/AFP) (Justin Tallis/AFP)

O Reino Unido negou nesta segunda-feira, 2, estar "em guerra", após uma base britânica no Chipre ser atacada por drones iranianos, depois que Londres autorizou Washington a usar seus complexos militares contra o Irã. Na noite de domingo, Starmer anunciou que aceitou o pedido americano para usar bases britânicas contra instalações de mísseis iranianas, entre elas o complexo estratégico de Diego García, no arquipélago de Chagos.

Donald Trump criticou o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, por ter demorado "demais" para permitir que os Estados Unidos utilizassem uma base no Oceano Índico. "Estamos muito decepcionados com Keir", declarou o republicano ao jornal The Daily Telegraph.

Por sua vez, o primeiro-ministro trabalhista defendeu no Parlamento sua decisão de manter o Reino Unido afastado dos ataques iniciais dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.

"O presidente Trump manifestou sua discordância com nossa decisão de não nos envolvermos nos ataques iniciais, mas é meu dever julgar o que atende ao interesse nacional do Reino Unido", disse Starmer na Câmara dos Comuns.

No entanto, o premiê reafirmou que Londres não participará "em ações ofensivas no Irã". Ele esclareceu no Parlamento que as bases militares britânicas "não estão sendo utilizadas por bombardeiros americanos".

Resposta europeia

Além do E3, líderes europeus reagiram com cautela aos ataques, com o único crítico aberto tomando a forma do premiê espanhol Pedro Sanchéz. Dentre outros oficiais do bloco, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que “uma transição no Irã é urgentemente necessária”, enquanto a principal diplomata da UE, Kaja Kallas, diz que “agora existe um caminho aberto para um Irã diferente.”

Por sua vez, o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, condenou a escalada militar, e alertou que a segurança e a paz internacional estariam sendo minadas: “O uso da força pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, e a subsequente retaliação iraniana em toda a região, minam a paz e a segurança internacionais”, afirmou em comunicado.

“Apelo para a cessação imediata das hostilidades e para a desescalada. A falha em fazer isso acarreta o risco de um conflito regional mais amplo, com graves consequências para os civis e para a estabilidade regional.”

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