Petróleo: principais economias asiáticas começaram a adotar medidas para garantir o abastecimento interno. (Anton Petrus/Getty Images)
Redação Exame
Publicado em 9 de março de 2026 às 05h49.
Última atualização em 9 de março de 2026 às 06h01.
Os países do G7 discutem a liberação coordenada de reservas estratégicas de petróleo para conter a forte alta nos preços da commodity provocada pela guerra no Golfo.
Segundo o Financial Times, ministros das Finanças do grupo e o diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (IEA), Fatih Birol, participam de uma reunião emergencial para avaliar medidas de estabilização no mercado de energia.
O encontro ocorre em meio à disparada do petróleo, que ultrapassou US$ 100 por barril após a escalada do conflito no Oriente Médio.
Entre as medidas em análise está a liberação conjunta de 300 milhões a 400 milhões de barris de petróleo das reservas estratégicas mantidas por países membros da IEA.
De acordo com o Financial Times, o volume corresponderia a cerca de 25% a 30% do total de aproximadamente 1,2 bilhão de barris
Essas reservas fazem parte de um mecanismo internacional criado para responder rapidamente a choques no fornecimento global de petróleo.
O sistema de estoques estratégicos foi estabelecido em 1974, após o embargo do petróleo promovido por países árabes no início da década de 1970.
A medida levou à criação da Agência Internacional de Energia, que coordena a resposta dos países consumidores em situações de crise energética.
Desde então, houve apenas cinco liberações coordenadas dessas reservas. As mais recentes ocorreram em 2022, após a invasão da Ucrânia pela Rússia.
Os países membros da agência possuem atualmente cerca de 1,24 bilhão de barris600 milhões de barris armazenados pela indústria.
A disparada do petróleo tem provocado preocupação entre governos e investidores.
O aumento dos preços da energia pode impulsionar a inflação e reduzir o ritmo de crescimento econômico global.
Economias altamente dependentes de importações de petróleo — como China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Alemanha, Itália e Espanha — estão entre as mais expostas ao choque de preços.
Segundo o Financial Times, a possibilidade de liberar reservas estratégicas representa uma mudança de postura do governo dos Estados Unidos, que anteriormente havia indicado que essa medida não seria necessária para estabilizar o mercado.
Especialistas do setor energético avaliam que uma liberação coordenada pode aliviar a pressão sobre os preços no curto prazo, mas o impacto dependerá da duração do conflito no Oriente Médio.