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G20 exigirá mais capital a bancos com presença internacional

Medida foi criticada por incluir apenas bancos que atuam em muitos países; europeus reclamam que exigência pode favorecer asiáticos

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A aprovação da medida deve ser decidida em reunião dos líderes do G20 (Chung Sung-Jun/Getty Images)

A aprovação da medida deve ser decidida em reunião dos líderes do G20 (Chung Sung-Jun/Getty Images)

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Da Redação

Publicado em 11 de novembro de 2010, 10h15.

Seul - A proposta de reforma financeira que o Grupo dos Vinte (G20, formado pelos países ricos e os principais emergentes) - que está reunido em Seul (Coreia do Sul) -, tem sobre a mesa, contempla exigir mais capital a grandes bancos com presença internacional.

Foi o explicou neste sábado em entrevista coletiva o presidente da Comissão de Supervisão Financeira da Coreia do Sul, Chin Dong-soo, quem não quis esclarecer se esta medida, como afirmaram alguns meios de comunicação, beneficiará os bancos asiáticos e prejudicará os europeus.

Dong-soo expôs nesta quinta-feira os detalhes da reforma financeira que o G20 tem sobre a mesa e a proposta do Conselho de Estabilidade Financeira, que deverá ser submetida à aprovação dos chefes de Estado e de Governo ao término da cúpula realizada em Seul nesta sexta-feira.

Um dos pontos mais complexos da reforma é o que exige um maior capital às grande entidades, cuja quebra abalaria os alicerces do sistema financeiro.

O conselho trabalha há meses em uma lista que inclui as entidades consideradas "grandes demais para quebrar".

Segundo o jornal "Financial Times", na lista há grandes bancos americanos, como Goldman Sachs, JPMorgan Chase, Morgan Stanley e Citigroup, além de europeus, como UBS, Credit Suisse, Société Générale, BNP Paribas, Santander e BBVA.

O conselho recomenda ao G20 que seja aplicada uma legislação mais frouxa a grandes bancos que não têm presença no mercado internacional.

A aplicação destas normas deverá ter início em 1º de janeiro de 2013, e as exigências de capital aumentariam anualmente até janeiro de 2019.


A possibilidade de que algumas entidades sejam discriminadas em função dos países em operam causou mal-estar no setor bancário.

O executivo-chefe do Deutsche Bank, Josef Ackermann, que nesta quinta-feira participou de encontros empresariais em Seul, não mencionou bancos asiáticos, mas afirmou que acha muito importante que as entidades financeiras concorram com as mesmas regras.

"É crucial que os bancos que são concorrentes globais" compitam de forma igualitária, ressaltou.

"Se há entidades nacionais que não podem cumprir os requisitos, é papel das autoridades nacionais decidir o que fazer com elas", acrescentou.

A proposta do G20 estabelece que os reguladores nacionais tenham a capacidade efetiva de "resolver" os problemas de algumas entidades.

Segundo a proposta, os supervisores devem contar com "os recursos apropriados e com todas as armas necessárias para realizar uma intervenção efetiva" e os bancos que operam internacionalmente "deverão contar com uma capacidade maior de absorver suas perdas".

As medidas que os países adotarem serão avaliadas por um comitê específico criado pelo Conselho de Estabilidade Financeira, órgão que depende do Banco Internacional de Pagamentos da Basiléia.