Mundo

O Paraguai que chega à copa: país tem atraído mais empresas do Brasil

País é uma das economias que cresce mais rapidamente na América Latina

O Paraguai que chega à Copa é uma nação reformada: crescimentos no PIB e reformas internas transformaram o país em uma das economias que mais cresce na América do Sul (Getty Images)

O Paraguai que chega à Copa é uma nação reformada: crescimentos no PIB e reformas internas transformaram o país em uma das economias que mais cresce na América do Sul (Getty Images)

Publicado em 12 de junho de 2026 às 06h01.

Última atualização em 12 de junho de 2026 às 10h29.

O Paraguai, vizinho do Brasil, não é conhecido como uma equipe formidável nos gramados. Apesar de nunca terem levantado a taça da Copa do Mundo, qualificaram-se para uma miríade de edições e, em sua melhor performance, chegaram às quartas de final em 2010. Esse ano, no Grupo D, enfrentarão os EUA nesta sexta-feira, 12, às 22h, e também competirão com a Austrália e a Turquia na fase de grupos. Regionalmente, conquistaram dois títulos da Copa América.

O país tem atraído mais brasileiros nos últimos anos, interessados em morar lá e aproveitar vantagens como menos impostos para abrir e manter empresas. O Paraguai cobra o chamado triplo 10%: o imposto de renda das empresas é 10%, assim como o imposto de renda de pessoa física e o IVA (imposto sobre o valor agregado, cobrado na maioria das transações, em vez de taxas como ICMS e IPI).

Além disso, há outros benefícios setoriais, como o programa Maquila, que concede isenção de impostos na importação de máquinas e matéria-prima e cobra um imposto de 1% sobre os produtos exportados.

Em 2025, o Paraguai bateu recorde ao oferecer 40,6 mil autorizações de residência a estrangeiros. Mais da metade (23,5 mil) eram brasileiros, seguido pelos argentinos (4,3 mil). Para 2026, a expectativa é que o número cresça. Só nos três primeiros meses do ano, foram emitidas 9,2 mil autorizações para brasileiros, segundo dados apurados pela BBC Brasil.

Uma das empresas brasileiras que abriu fábrica lá foi a Lupo, que espera reduzir seus custos em 30% com a medida. Até maio, já havia reduzido 15%.

Benefícios a data centers

O Paraguai quer atrair também mais data centers e a fabricação de produtos de ponta, com oferta de isenções e energia elétrica mais barata.

"Temos um novo incentivo da lei de produção e montagem de equipamentos de alta tecnologia. Com isso, você pode importar os componentes da Ásia sem pagar imposto, montar o produto no Paraguai e exportar. Se o produto tiver 40% de agregado regional, pode exportar para Brasil e Argentina sem pagar a mesma tarifa que teria para produtos da China", disse Marco Riquelme, ministro de Indústria e Comércio do Paraguai, durante evento em São Paulo.

O ministro diz que novas leis estão sendo debatidas, para trazer mais isenções relacionadas à tecnologia.

"Estamos trabalhando muito forte na lei de atração para indústrias de inteligência artificial, com a redução do imposto também para importar o GPU, o chip, o semicondutor, que você precisa para isso. Estamos trabalhando em uma lei de parques industriais. Vai haver muitas oportunidades aqui para fazer investimentos nos parques industriais, logísticos e tecnológicos", disse Riquelme.

Crescimento econômico e Itaipu

Nos últimos anos, o Paraguai foi uma das economias que crescem mais rapidamente na América Latina.

Em 2025, registrou sua maior taxa de crescimento no PIB em 12 anos: 6,6%. No ano passado, todos os setores reportaram lucro, liderados pelo agronegócio, energia, serviços e construção, de acordo com um comunicado do Banco Central paraguaio.

A figura foi maior do que as expectativas: as previsões da Bloomberg haviam estimado o crescimento do país em 5,8%. Em comparação, a média do crescimento médio do PIB na América do Sul em 2025 foi de 2,9% — por sua vez, o Brasil registrou uma expansão de apenas 2,3% no ano passado.

Usina hidrelétrica de Itaipu fornece o Brasil e o Paraguai com energia, investimentos e lucro (diegograndi/envato)

O recorde paraguaio fecha, com chave de ouro, três anos consecutivos de rápido crescimento, de quase 5% por ano, alimentado pela demanda doméstica e pelas exportações de soja e de carne.

O acordo do Mercosul com a União Europeia promete melhorar ainda mais as perspectivas paraguaias, já que seus produtos terão acesso inédito aos mercados europeus.

E a boa fase não é de hoje: nos últimos 20 anos, a pobreza no Paraguai caiu de mais de 50% para apenas 16% em 2025, segundo dados do Banco Mundial.

Nessas duas décadas, um terço da população do país saiu da linha da pobreza, definida pela ONU como renda inferior a US$ 3 por dia, com outros 300 mil superando essa condição somente nos últimos dois anos.

Por trás dessa superação estão políticas do governo centradas em emprego e produtividade — o aumento dos salários foi o principal motor da redução da pobreza, apura o Banco Mundial, com os maiores lucros concentrados na parcela mais pobre da população.

" O progresso do Paraguai tem se concentrado nos fundamentos da criação de empregos: infraestrutura que reduz custos, aumenta a produtividade e permite que as pessoas se conectem à crescente geração de valor econômico; um marco regulatório que permite que as empresas invistam e incentiva a criação de empregos; e programas que fortalecem as capacidades dos trabalhadores, diz um relatório do Banco Mundial."

A infraestrutura que expande o acesso à energia e conecta a atividade econômica é fundamental para a criação de empregos e o estímulo à economia. No cerne desse âmbito está a usina hidrelétrica de Itaipu, coadministrada pelo Brasil e pelo Paraguai e localizada em Foz do Iguaçu, no Paraná.

O Paraguai consome cerca de 30% da energia produzida pela usina, o que corresponde a quase 80% de toda a energia consumida no país, e vende o restante ao Brasil.

Além da energia limpa e acessível, Itaipu também é uma importante fonte de lucro para ambos os países. Segundo informações do site oficial da represa, Itaipu Binacional, somente em 2024 a represa gerou US$ 14,5 bilhões em royalties para as tesourarias do Paraguai e do Brasil, dos quais US$ 1,2 bilhão foram distribuídos diretamente entre seis estados e mais de 300 municípios. Além disso, milhares de turistas que visitam a represa todo ano também contribuem para os lucros binacionais.

Acompanhe tudo sobre:ParaguaiCopa do MundoItaipu

Mais de Mundo

Netanyahu revela ser torcedor da Argentina na Copa do Mundo: 'Milei é um grande amigo de Israel'

Lula conversa por telefone com presidente da Venezuela e promete ajuda na reconstrução do país

Javier Milei virá ao Brasil para dar apoio a Flávio Bolsonaro, diz jornal

Calor e crescimento industrial levam demanda de energia da China a novo recorde