França obtém compromisso europeu em missão

França obteve um tímido compromisso dos demais países europeus na República Centro-Africana, onde a União Europeia pode lançar em 2014 uma missão de apoio

Bruxelas - A França obteve nesta sexta-feira um tímido compromisso dos demais países europeus na República Centro-Africana, onde a União Europeia pode lançar em 2014 uma missão de apoio, sem financiar diretamente a operação francesa.

Após dois dias de discussões em Bruxelas, o presidente francês François Hollande declarou estar satisfeito com a resposta de seus colegas em relação ao caso.

"Consegui um apoio unânime dos europeus para o que temos feito na República Centro-Africana e sobre um projeto de missão europeia que poderia ser decidido em janeiro", declarou.

Este apoio político foi formalizado pelo presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, que afirmou que a intervenção dos 1.600 soldados franceses em Bangui permitiu "evitar o desastre de uma guerra civil, e até mesmo um possível genocídio".

A atitude dos europeus lembra a adotada no início do ano, quando a França lançou a operação Serval no Mali. Sem participar dos combates, eles foram muito ativos no plano humanitário e lançaram uma missão de formação do exército malinense.

No terreno, tiroteios foram ouvidos na manhã desta sexta-feira em vários bairros de Bangui, após várias horas de intensa troca de tiros durante a madrugada no aeroporto, o que ilustra a situação ainda extremamente volátil na capital da República Centro-Africana após os recentes casos de violência religiosa.

Nas primeiras horas da manhã, centenas de pessoas, em sua maioria jovens, se reuniram para protestar na entrada do aeroporto Mpoko, no norte da cidade, exigindo a saída do presidente e ex-líder rebelde Michel Djotodia, observou a AFP.

Disparos de armas leves, aparentemente de soldados do Chade e da 'Misca' (a força africana no país ) gerou pânico e confusão entre a multidão. Manifestantes furiosos atacaram com pedras um caminhão que transportava passageiros muçulmanos, presumivelmente também chadianos.


A situação foi controlada com a chegada de reforços franceses, e a dispersão gradual dos manifestantes. Mas logo depois, tiros de origem desconhecida foram ouvidos em outro distrito do norte, em Gobongo, onde, de acordo com um habitante local, várias pessoas foram mortas durante a noite por homens da Seleka vestidos com uniformes da polícia.

No final da manhã, os soldados franceses se preparavam para intervir nesta área.

Enquanto a situação parecia tranquila no centro da cidade, estes incidentes, juntamente com rumores de confrontos noturnos no aeroporto, resultaram em uma diminuição notável do movimento nas principais estradas e avenidas.

Pouco antes do meio-dia, o bairro Combattant, perto do aeroporto e palco de vários massacres nas últimas duas semanas, estava deserto.

Por várias horas durante a noite, "houve tiros de armas automáticas (...) na bise militar do aeroporto. A situação é confusa", indicou à AFP uma fonte militar francesa.

Questionado pela AFP, um oficial da Misca citou feridos entre seus homens, sem mais detalhes.

"A situação é volátil desde ontem à noite" e "nada é simples", se limitou a dizer um porta-voz da operação francesa Sangaris.

O aeroporto de Mpoko abriga os acampamentos dos militares franceses da Sangaris (1.600 homens) e dos diferentes contingentes da Misca, mobilizados para restabelecer a segurança na República Centro-Africana.

Dezena de descolados - em sua maioria cristãos - fugiram da violência religiosa na cidade e vivem na maior desordem e de forma precária.

A República Centro-Africana está em conflito desde que a coalizão rebelde Seleka, majoritariamente muçulmana, derrubou o presidente François Bozizé no mês de março.

Um governo de transição liderado por um ex-rebelde perdeu o controle do país e grupos rivais, cristãos e muçulmanos, iniciaram uma série de confrontos extremamente violentos.

Desde 5 de dezembro, os massacres entre cristãos e muçulmanos fizeram quase mil mortos no país, segundo o último balanço da Anistia Internacional.

A maioria das vítimas foram mortas em Bangui, por membros da Seleka, mas também na província, onde atuam milícias de autodefesa de vilarejos cristãos "anti-balaka", segundo a Anistia.

Após a autorização da ONU, o exército francês lançou uma operação de apoio a uma força africana já presente com 3.700 militares.

Ruanda declarou nesta sexta-feira que também irá participar da missão

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