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Fim da escala 6x1: qual é a carga horária de outros países do mundo?

Dados internacionais mostram que a carga horária brasileira está acima da observada nas principais economias desenvolvidas

Escala 6x1: PEC foi aprovada por maioria na Câmara dos Deputados, mas ainda tramita no Senado (Agência Brasil)

Escala 6x1: PEC foi aprovada por maioria na Câmara dos Deputados, mas ainda tramita no Senado (Agência Brasil)

Paloma Lazzaro
Paloma Lazzaro

Estagiária de jornalismo

Publicado em 14 de outubro de 2026 às 15h10.

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A proposta de emenda à Constituição (PEC) sobre o fim da escala 6x1 deve ser votada ainda nesta quarta-feira, 14, após ter sido aprovada pela Câmara dos Deputados com ampla maioria, em maio deste ano.

A PEC 221/2019 tem sido um dos principais pontos defendidos pelo governo federal e pela esquerda no Legislativo desde o ano passado, mas é criticada por diversos setores, sobretudo o produtivo, que se organizou para tentar postergar o debate do tema no Senado. Ela propõe uma carga horária máxima de 40 horas semanais, frente à exigência atual de 44 horas, com período de transição de 14 meses, sem redução de salário.

O brasileiro trabalha, em média, quase 2 mil horas ao ano, de acordo com dados do Penn World Table de 2025. Esse número é 11% maior do que o dos Estados Unidos e 34% superior ao dado alemão, por exemplo.

O conjunto de dados da Penn World Table é compilado pela Universidade da Califórnia em Davis e a Universidade de Groningen, a fim de contabilizar a produtividade, riqueza e gastos em um país. Veja a seguir mais detalhes de como funciona a jornada em outros países.

A situação trabalhista em países membros do G7

Os países do G7 têm, em geral, legislações trabalhistas mais restritivas e jornadas efetivas consideravelmente menores do que a brasileira..

  • Alemanha: O limite legal é de 8 horas diárias, de segunda a sábado, com teto de 48 horas semanais. A jornada pode ser estendida a até 10 horas por dia desde que a média de 8 horas seja respeitada em um período de referência de 6 meses ou 24 semanas. Trabalhar aos domingos e feriados é, em geral, proibido por lei.  Na prática, o alemão trabalhou em média 1.335 horas em 2023 — o menor volume entre os países do G7 e cerca de 49% menos que o brasileiro.
  • Canadá: A legislação federal fixa em 48 horas o limite máximo semanal na maior parte dos casos, com possibilidade de horas a mais em situações excepcionais, como emergências ou planos de escala modificados. Na prática, o canadense trabalhou em média 1.731 horas em 2023, cerca de 15% a menos que o brasileiro.
  • Estados Unidos: A Fair Labor Standards Act não estabelece um limite máximo de horas semanais, mas exige o pagamento de hora extra (1,5 vez o valor regular) para todo trabalho acima de 40 horas semanais. O americano trabalhou, em média, 1.789 horas em 2023, 11% a menos do que o brasileiro.
  • França: A jornada legal é de 35 horas semanais, com teto diário de 10 horas — prorrogável a 12 horas em casos excepcionais previstos em convenção coletiva. As horas acima das 35 semanais são consideradas extras. O francês trabalhou em média 1.487 horas em 2023, aproximadamente 34% menos que o brasileiro.
  • Itália: A jornada normal é fixada em 40 horas semanais pela lei, podendo convenções coletivas estabelecer limite inferior. Horas trabalhadas além das 40 semanais são consideradas extraordinárias; na ausência de convenção coletiva, o limite é de 250 horas extras anuais mediante acordo entre empregador e empregado. O italiano trabalhou em média 1.701 horas em 2023, cerca de 17% a menos que o brasileiro.
  • Japão: A lei trabalhista japonesa fixa a jornada em 40 horas semanais e 8 horas diárias como regra geral. A exceção são pequenas empresas de setores como varejo, beleza, cinemas e restaurantes com menos de 10 funcionários, que podem adotar até 44 horas semanais. O empregador deve garantir ao menos um dia de folga por semana. Apesar do país ser conhecido por longas jornadas de trabalho, o japonês trabalhou em média 1.654 horas em 2023, cerca de 20% a menos que o brasileiro.
  • Reino Unido: Em média, o trabalhador britânico não pode exceder 48 horas semanais, calculadas em geral sobre um período de 17 semanas. É possível, porém, optar individualmente por sair desse limite (opt-out). Menores de 18 anos têm limite de 8 horas diárias e 40 horas semanais. O britânico trabalhou em média 1.523 horas em 2023, cerca de 31% menos que o brasileiro.
  • Na África do Sul, a lei trabalhista (Basic Conditions of Employment Act) fixa o teto em 45 horas semanais para trabalhadores abaixo do limite salarial estabelecido pelo governo — sendo 9 horas diárias para quem trabalha cinco dias por semana, e 8 horas para quem trabalha mais dias. O horário de almoço é não remunerado e não entra no cômputo. Horas extras são voluntárias, limitadas a 3 horas por dia ou 10 horas por semana, e devem ser pagas a 1,5 vez o valor regular, ou em dobro para domingos e feriados. O sul-africano trabalhou em média 2.181 horas em 2023, cerca de 9% a mais do que o brasileiro.

Quanto se trabalha em outros países do Mercosul

No bloco regional, o Brasil apresenta carga horária anual menor que Paraguai e Bolívia, mas maior que Argentina e Uruguai.

  • Argentina: A jornada padrão é de 8 horas diárias e 48 horas semanais. Uma reforma aprovada em fevereiro de 2026, no governo Javier Milei, passou a permitir acordos individuais que possibilitem jornadas de até 12 horas diárias, mantido o teto de 48 horas semanais — com intervalos mínimos de 12 horas entre turnos e 35 horas de descanso semanal.  O argentino trabalhou em média 1.612 horas em 2023, cerca de 24% a menos do que o brasileiro.
  • Paraguai: A semana padrão é de 48 horas para trabalho diurno, com máximo de 8 horas diárias. Para o trabalho noturno, o limite diário cai para 7 horas. Horas extras são limitadas a 3 por dia e 9 por semana, com remuneração proporcional acrescida de adicional; horas extras noturnas e em feriados são pagas em dobro. O paraguaio trabalhou em média 2.123 horas em 2023, cerca de 6% a mais do que o brasileiro.
  • Uruguai: A jornada não pode ultrapassar 8 horas diárias, com teto de 48 horas semanais no setor industrial e 44 horas no comércio e escritórios. Horas extras são limitadas a 8 por semana e pagas com adicional de 100% sobre a hora regular; para trabalho no dia de descanso semanal, o adicional sobe para 150%. O uruguaio trabalhou em média 1.481 horas em 2023. É a menor carga horária entre os países do Mercosul analisados e cerca de 35% inferior à do brasileiro.
  • Bolívia: A legislação trabalhista boliviana fixa a jornada efetiva em 8 horas diárias e 48 horas semanais, com limite de 7 horas para o trabalho noturno. O boliviano trabalhou em média 1.968 horas em 2023, volume próximo ao brasileiro, cerca de 1% inferior.

Confira o quanto o brasileiro trabalha comparado a outros países

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