Redação Exame
Publicado em 10 de janeiro de 2026 às 14h20.
O Exército da Síria informou neste sábado, 10, que encerrou a ofensiva contra o que descreveu como o último bastião curdo em Aleppo. A versão, no entanto, foi contestada pelas forças curdas, que dizem manter combate contra unidades governistas.
Os confrontos na cidade do norte sírio — entre o governo central e grupos curdos que controlam áreas do nordeste do país — deixaram ao menos 21 civis mortos desde terça-feira, segundo fontes dos dois lados.
A escalada também provocou o deslocamento de cerca de 155 mil pessoas, a maioria moradores de bairros curdos, de acordo com autoridades locais.Os choques, os mais intensos em Aleppo desde a queda de Bashar al-Assad em dezembro de 2024, ocorrem em meio às dificuldades para colocar em prática um acordo firmado em março. O entendimento prevê a incorporação das instituições da administração autônoma curda e das Forças Democráticas Sírias (FDS) ao novo Estado.
Depois de assumir o controle de Ashrafieh, outro distrito anteriormente sob domínio curdo, o Exército sírio afirmou, em nota divulgada pela agência oficial Sana, que havia decretado o “encerramento de todas as operações militares em Sheikh Maqsud a partir das 12h00 GMT” (9h em Brasília).
Horas mais tarde, autoridades sírias anunciaram que combatentes de Sheikh Maqsud seriam transferidos para a região autônoma curda, mais a leste.
Um repórter da AFP relatou ter visto ao menos quatro ônibus verdes levando integrantes das forças curdas, escoltados por agentes de segurança.
Ainda assim, as forças curdas sustentaram que os enfrentamentos continuavam. Em comunicado, rejeitaram a narrativa do governo, classificada como “sem fundamento”, e afirmaram que pretendem “seguir resistindo”.
No início da tarde, ainda era possível ouvir disparos, segundo correspondentes da AFP, que também viram tropas do Exército entrarem no bairro e soldados retirarem civis que estavam confinados em suas casas.
Na sexta-feira — assim como nos dias anteriores —, o Exército permitiu que civis usassem dois “corredores humanitários” para deixar os bairros curdos.
Damasco havia solicitado que as forças curdas se retirassem da cidade na sexta-feira, com a promessa de transportá-las com segurança para áreas sob controle das FDS no nordeste do país.
Os combatentes entrincheirados em Sheikh Maqsud, porém, rejeitaram qualquer capitulação. Segundo uma fonte militar citada pela TV estatal, eles “lançaram drones de ataque contra bairros de Aleppo” a partir de posições no leste da cidade.
Apesar do agravamento do conflito, os curdos afirmam que seguem dispostos a manter negociações com Damasco para integrar suas instituições ao governo central.
Antes dos anúncios divergentes do Exército e das forças curdas, a dirigente da administração curda síria Elham Ahmed disse não descartar uma retirada, mas condicionou o movimento à manutenção de uma “proteção local curda” para os moradores dos bairros curdos de Aleppo.
*Com informações da AFP