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Exército de Israel alerta para risco de colapso em meio à guerra

Chefe militar cita déficit de tropas e exaustão após anos de conflito

Publicado em 1 de abril de 2026 às 07h22.

A sobrecarga das Forças Armadas de Israel levou o chefe do Estado-Maior, Eyal Zamir, a alertar o governo de Benjamin Netanyahu sobre o risco de colapso militar após mais de dois anos de conflitos simultâneos em diferentes frentes.

A avaliação ocorre às vésperas da ampliação de operações terrestres no Líbano.

Em reunião com o gabinete de segurança, Zamir afirmou que as Forças de Defesa de Israel (IDF) correm o risco de “entrar em colapso sob o próprio peso”, citando a exaustão das tropas e o déficit de cerca de 15 mil soldados, sendo 8 mil para funções de combate.

Desde os ataques do Hamas em outubro de 2023, Israel mantém operações contínuas em múltiplos territórios, o que pressiona o sistema de reservas e compromete a prontidão militar.

Múltiplas frentes ampliam pressão sobre tropas

A ofensiva começou na Faixa de Gaza, com o objetivo de eliminar o Hamas e resgatar reféns. Posteriormente, o conflito se expandiu para outras regiões:

  • No Líbano, Israel lançou ofensiva contra o Hezbollah
  • Na Síria, forças israelenses avançaram após a queda de Bashar al-Assad
  • Na Cisjordânia, houve intensificação de operações militares e expansão de assentamentos
  • No contexto regional, há ainda a guerra com o Irã

O acúmulo de operações levou à convocação massiva de reservistas. Em março, Netanyahu mobilizou cerca de 100 mil, e novos chamamentos podem ampliar esse número para até 400 mil.

Debate sobre serviço militar amplia crise interna

Um dos principais pontos de tensão é a isenção do serviço militar para judeus ultraortodoxos (haredim), historicamente dispensados da obrigatoriedade.

A política vem sendo criticada por lideranças militares e políticas, que defendem a ampliação do recrutamento.

A Suprema Corte de Israel já determinou, em 2024, que esse grupo deve ser convocado, mas o governo tem evitado avançar com a medida, em meio à pressão de partidos religiosos aliados.

O tema também é alvo de críticas da oposição, liderada por Yair Lapid, que cobra medidas para ampliar o efetivo militar diante da escalada dos conflitos.

Reservistas sob pressão e sinais de desgaste social

Sem tropas regulares suficientes, Israel depende fortemente de reservistas, que vêm sendo convocados por períodos cada vez mais longos — em alguns casos, superiores a 100 dias.

O cenário tem gerado impacto econômico e social, com relatos de perda de emprego e dificuldades financeiras entre os convocados.

*Com O Globo

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