Kylian Mbappé, atacante da França, durante a partida contra Marrocos na Copa do Mundo (Franck Fife/AFP)
Repórter de internacional e economia
Publicado em 12 de julho de 2026 às 15h07.
Última atualização em 12 de julho de 2026 às 15h08.
Vários políticos franceses e espanhóis, entre eles o primeiro-ministroda Espanha, Pedro Sánchez, criticaram um artigo escrito pelo ex-primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy, que descreveu a seleção francesa de futebol como uma equipe "sem franceses".
A poucos dias da semifinal da Copa do Mundo entre França e Espanha, Rajoy, chefe de Governo espanhol entre 2011 e 2018 pelo conservador Partido Popular, analisou a seleção francesa em uma coluna publicada pelo jornal El Debate.
No texto, o ex-governante afirmou que os Bleus contam com "um elenco de altíssimo nível. Isso sim, sem franceses".
Essas declarações, para Sánchez, "envergonham" a Espanha.
"Há quem ainda meça o pertencimento pelo sobrenome, pelo local de nascimento ou pela cor da pele. Outros o medimos pelo vínculo com um país e pela vontade de contribuir para ele. Jogando futebol. Cuidando dos nossos idosos. Ou abrindo empresas. A Espanha pertence a quem a ama e trabalha por ela. Não a quem a envergonha com declarações xenófobas", escreveu Sánchez na rede X.
"França, nos vemos na semifinal. Que vença o melhor e que o racismo perca", acrescentou.
A embaixada da França em Madri também reagiu, apontando que "todos os jogadores da seleção francesa são franceses. Dos 26 jogadores, 23 nasceram na França. Os três que nasceram no exterior também são franceses".
Vários ministros do governo francês criticaram o artigo de Rajoy.
"Após cada vitória dos Bleus, ressurgem as mesmas obsessões e insultos racistas. Não se trata de 'declarações infelizes'. É um ódio metódico e banalizado contra a França e o que ela representa", afirmou a ministra dos Territórios Ultramarinos, Naima Moutchou.
A ministra encarregada da pasta de Combate às Discriminações, Aurore Bergé, criticou os "repetidos deslizes racistas".
O líder do Partido Socialista francês, Olivier Faure, afirmou que "a França não é um país étnico, não tem cor de pele nem religião". "É uma nação política reunida em torno dos valores republicanos. Ainda que isso desagrade à direita racista", escreveu na rede X.
Fabien Roussel, líder do Partido Comunista Francês, denunciou o que chamou de "racismo repugnante".
O ministro do Interior francês, Laurent Núñez, afirmou à televisão BFMTV que, se a declaração foi feita exatamente nesses termos, ela era "absolutamente inaceitável".
Com AFP e EFE.