Redação Exame
Publicado em 24 de janeiro de 2026 às 09h01.
O Pentágono divulgou nesta sexta-feira, 23, a Estratégia de Defesa Nacional (NDS, na sigla em inglês) que guiará as ações militares dos Estados Unidos a partir de 2026.
O novo plano marca uma mudança estrutural nas prioridades de segurança, com destaque para a defesa do território nacional, o foco regional no Indo-Pacífico e a restauração da dominância militar na América Latina.
A diretriz afirma que os aliados dos EUA em outras regiões deverão assumir a responsabilidade primária por suas defesas, com apoio mais limitado das forças norte-americanas.
A China, antes descrita como principal ameaça, passa a ser tratada como um desafio a ser enfrentado por meio da "força, não do confronto". A Rússia, por sua vez, é classificada como uma ameaça “persistente, mas administrável”, concentrada nos países do leste europeu.
A nova política de defesa prioriza a segurança das fronteiras como parte da segurança nacional.
O texto critica administrações anteriores por negligenciarem o controle imigratório, o que teria causado um aumento da imigração ilegal e do tráfico de drogas. O documento prevê ações para restringir entradas ilegais e deportar imigrantes.
A estratégia rompe com os enfoques adotados em 2018 e 2022, durante os governos de Trump e Biden, respectivamente. Enquanto o plano de Biden apresentava a mudança climática como ameaça emergente e colocava China e Rússia como desafios centrais, o novo texto exclui menções ao clima e enfatiza ameaças ligadas à segurança interna e à soberania territorial.
A América Latina assume papel central no plano de defesa. Segundo o documento, os EUA irão “restaurar a dominância militar no hemisfério” como forma de garantir o controle estratégico de áreas-chave na região. A diretriz segue alinhada à estratégia de segurança nacional divulgada anteriormente, que já antecipava a nova postura regional.
Desde o retorno de Donald Trump ao poder em 2025, as forças armadas intensificaram operações no continente. Entre as ações está a captura de Nicolás Maduro, ex-líder da Venezuela, e o aumento de ofensivas navais contra embarcações suspeitas no Caribe e Pacífico Oriental, que resultaram em mais de 100 mortes.
O texto final da NDS 2026 sinaliza um novo ciclo geopolítico: redução de compromissos globais, reestruturação regional e militarização ampliada no entorno direto dos EUA.
*Com O Globo