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Câmara dos EUA vota para interromper a guerra com o Irã em repreensão a Trump

Texto foi aprovado por 215 votos a 208 e resultado evidencia o aumento das preocupações dentro do Partido Republicano sobre os desdobramentos da guerra

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 3 de junho de 2026 às 20h16.

Última atualização em 3 de junho de 2026 às 20h21.

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A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta quarta-feira, 3, uma resolução para suspender a participação do país na guerra contra o Irã.

A medida recebeu apoio de parlamentares republicanos e representa um distanciamento em relação à posição do presidente americano Donald Trump em um conflito que enfrenta resistência crescente da população e amplia seus efeitos sobre a economia americana.

O texto foi aprovado por 215 votos a 208. O resultado evidencia o aumento das preocupações dentro do Partido Republicano sobre os desdobramentos da guerra, a poucos meses das eleições legislativas. Em maio, uma proposta semelhante no Senado avançou ao superar uma etapa processual, mas ainda aguarda votação final.

Decisão no legislativo significa o fim da guerra?

Apesar da aprovação na Câmara, a resolução não interrompe automaticamente as operações militares dos Estados Unidos. Para entrar em vigor, a proposta precisa ser aprovada pelo Senado. Também permanecem questionamentos jurídicos sobre a aplicação da Lei de Poderes de Guerra de 1973, dispositivo utilizado como base para a iniciativa.

Mesmo sem efeito imediato sobre as ações militares, a votação amplia os sinais de enfraquecimento do apoio político ao presidente em relação ao conflito. O cenário ocorre enquanto as negociações para um acordo de paz temporário seguem sem conclusão e as tensões permanecem elevadas no Oriente Médio. Durante a madrugada, forças americanas e iranianas voltaram a trocar ataques. Kuwait e Bahrein registraram os episódios mais graves desde o início do cessar-fogo firmado em abril.

Antes da votação, a liderança republicana tentou evitar que o tema fosse levado ao plenário. Em maio, uma sessão foi cancelada quando ficou evidente que os parlamentares contrários à guerra tinham maioria suficiente para aprovar a medida.

"É uma perspectiva muito perigosa tirar da administração e do comandante-em-chefe, neste momento, a capacidade de negociar", disse o presidente da Câmara, Mike Johnson, antes da votação.

Efeito da guerra na vida dos americanos e popularidade de Trump

A derrota representa mais um revés político para Donald Trump em seu segundo mandato. Na terça-feira, o presidente retirou uma proposta de US$ 1,8 bilhão destinada a aliados políticos após pressão de parlamentares republicanos. Já nesta quarta-feira, senadores do partido eliminaram de um projeto de gastos os recursos previstos para a construção de um novo salão de baile na Casa Branca.

Os impactos econômicos da guerra também aumentaram. O conflito e o fechamento do Estreito de Ormuz impulsionaram os preços internacionais da energia. Segundo a Associação Americana de Automóveis (AAA), o valor médio da gasolina comum nos Estados Unidos chegou a US$ 4,26 por galão na quarta-feira.

A aceleração da inflação desde o início das hostilidades reduziu o poder de compra da população. Em abril, os salários registraram queda em comparação com o mesmo período do ano anterior, considerando a alta dos preços. Foi o primeiro recuo desse indicador desde 2023. Em maio, a confiança do consumidor atingiu o menor nível já registrado.

Uma pesquisa realizada pelo New York Times/Siena em maio mostrou que 64% dos americanos consideram equivocada a decisão de entrar em guerra com o Irã.

No Congresso, integrantes da Câmara e do Senado também têm manifestado preocupação com os custos das operações militares e com a falta de informações detalhadas sobre reposição de munições, equipamentos e reparos necessários. Até o momento, o governo Trump não encaminhou ao Legislativo um pedido suplementar de recursos para financiar o conflito.

Em depoimento aos parlamentares no dia 12 de maio, o controlador interino do Pentágono, Jules Hurst, afirmou que os gastos da guerra contra o Irã estavam estimados em aproximadamente US$ 29 bilhões. Analistas externos avaliam que o valor pode ser superior, levando em consideração os custos relacionados a armamentos, deslocamentos militares e operações na região do Oriente Médio.

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