Repórter
Publicado em 1 de dezembro de 2025 às 17h56.
Os Estados Unidos anunciaram nesta segunda-feira, 1º de dezembro, que isentarão as tarifas alfandegárias dos produtos farmacêuticos britânicos, em troca de um aumento de 25% nos gastos do Reino Unido com medicamentos.
Esse acordo concede às empresas britânicas um tratamento comercial mais favorável do que o de parceiros como a União Europeia e a Suíça, cujos produtos estarão sujeitos a uma taxa de 15%.
Em contrapartida, o governo do Reino Unido aceitou aumentar os investimentos em medicamentos financiados pelo seu sistema público de saúde, o NHS, a pedido de Washington.
Em um comunicado, o governo britânico declarou que "investirá cerca de 25% a mais em tratamentos inovadores, seguros e eficazes, o que representa o primeiro aumento significativo em mais de 20 anos". O NHS agora terá a possibilidade de aprovar medicamentos que tragam melhorias substanciais para a saúde, mas que antes poderiam ser rejeitados apenas por questões de custo-benefício.
Os Estados Unidos esperam que esse aumento nas receitas fora do país ajude seus laboratórios a reduzir os preços elevados no mercado interno.
Em um comunicado, o representante comercial da Casa Branca (USTR), Jamieson Greer, afirmou que "o acordo visa garantir que os pacientes americanos não tenham que pagar preços excessivos pelos medicamentos para financiar a saúde em outros países desenvolvidos".
De acordo com o comunicado, Londres se comprometeu a não compensar o aumento dos preços de determinados medicamentos com uma redução nos preços de outros produtos do portfólio das farmacêuticas.
Embora os medicamentos britânicos ainda não estivessem sujeitos às tarifas alfandegárias dos Estados Unidos, a aplicação dessas tarifas havia sido suspensa anteriormente.
Desde que voltou à Casa Branca, o presidente Donald Trump ameaçou impor tarifas como uma forma de pressionar as empresas do setor a estabelecer fábricas nos EUA e reduzir os preços dos medicamentos no país.
Várias grandes empresas do setor, como AstraZeneca e GSK, já firmaram acordos de isenção com o governo americano, comprometendo-se a investir bilhões de dólares nos Estados Unidos e a reduzir os preços de seus medicamentos em troca da isenção de tarifas.
Esse acordo entre Londres e Washington no setor farmacêutico segue o tratado comercial que entrou em vigor há alguns meses, o qual limitou a 10% a maioria das tarifas americanas sobre produtos britânicos.
Os preços dos medicamentos nos Estados Unidos estão entre os mais altos do mundo, superando os praticados em países vizinhos e na Europa.
(Com informações de AFP)