Venezuela detém as maiores reservas de petróleo do mundo — o equivalente a 364 bilhões de barris, ou 17% do total global (Getty Images/Getty Images)
Redação Exame
Publicado em 11 de janeiro de 2026 às 15h53.
Última atualização em 11 de janeiro de 2026 às 15h55.
A retomada do setor de petróleo na Venezuela voltou ao centro do debate internacional após uma sinalização pública do governo dos Estados Unidos sobre novos aportes estrangeiros no país. Segundo autoridades americanas, grandes companhias globais do setor estariam prontas para ampliar rapidamente sua presença na indústria petrolífera venezuelana, apesar do histórico recente de instabilidade política e econômica.
O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, afirmou neste domingo que as petrolíferas americanas Chevron e Shell, a espanhola Repsol e a italiana ENI “elevarão imediatamente” seus investimentos na Venezuela após uma reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
“Tivemos a Chevron, Shell, Repsol e ENI, quatro das maiores companhias de petróleo do mundo, dizendo: ‘imediatamente, começaremos a elevar nossos investimentos e a aumentar nossa produção’. Tenho uma equipe de exploradores de petróleo dos Estados Unidos que dizem que irão para lá ainda esta semana”, declarou Wright à Fox News.
As declarações, segundo a agência EFE, ocorrem após a reunião realizada na sexta-feira entre Trump e executivos do setor petrolífero na Casa Branca. Na ocasião, o presidente afirmou que haverá um investimento de “ao menos 100 bilhões de dólares de capital próprio, não de dinheiro do governo”, com o objetivo de revitalizar a infraestrutura da Venezuela.
Embora o presidente-executivo da Repsol, Josu Jon Imaz, tenha dito a Trump que a empresa está preparada para “investir com força na Venezuela”, o encontro também foi marcado por uma posição divergente. O diretor da Exxon, Darren Woods, afirmou que o país sul-americano “hoje é ininvestível”.
Wright, no entanto, classificou a avaliação da Exxon como “atípica” e afirmou que há “ao menos uma dúzia” de empresas prontas para retornar à Venezuela após o ataque militar dos Estados Unidos que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro há uma semana.
Segundo o secretário, isso inclui “cinco grandes” empresas que já “estão no país e que vão rapidamente aumentar sua produção” e, “provavelmente, entre outras seis e uma dúzia” que estão “prontas para entrar”.
“Portanto, a velocidade com que veremos os investimentos e a mudança na trajetória da produção da Venezuela é impressionante”, afirmou.
Apesar do otimismo do governo americano, analistas do setor de energia demonstram ceticismo em relação ao plano de Trump para a Venezuela. O país detém as maiores reservas de petróleo do mundo — o equivalente a 364 bilhões de barris, ou 17% do total global —, mas responde por apenas 1% da produção mundial, segundo dados da Standard & Poor's.
Entre os principais entraves estão a infraestrutura obsoleta e a incerteza política, uma vez que a presidente interina da Venezuela é Delcy Rodríguez, ex-vice-presidente de Maduro e ex-integrante do governo do falecido Hugo Chávez, responsável pela expropriação do setor petrolífero.
Nesse contexto, Trump decretou neste sábado uma “emergência nacional” para proteger, em contas do Tesouro dos Estados Unidos, as receitas provenientes das vendas de petróleo da Venezuela, impedindo que credores da dívida externa venezuelana reivindiquem esses recursos.
Desde a expropriação do petróleo, foram abertos cerca de 60 processos de arbitragem contra a Venezuela desde o ano 2000, com um valor total estimado de 30 bilhões de dólares — quase 15% da dívida internacional do país —, segundo dados do Center on Global Energy Policy, da Universidade de Columbia.