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EUA decidirão quais petroleiras poderão operar na Venezuela, diz Trump

Segundo o republicano, o governo americano vai atuar como intermediários nas negociações das companhias do setor com Caracas

Donald Trump: presidente convocou petroleiras para retomar produção na Venezuela (	Joe Raedle/Getty Images)

Donald Trump: presidente convocou petroleiras para retomar produção na Venezuela ( Joe Raedle/Getty Images)

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 9 de janeiro de 2026 às 18h18.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o governo norte-americano será o responsável por decidir quais empresas petrolíferas poderão operar na Venezuela. Segundo eles, os EUA atuarão como intermediários entre as companhias e Caracas.

A fala de Trump ocorreu durante uma reunião com dezenas de representantes de petrolíferas na Casa Branca. No encontro, o republicano novamente a projeção de US$ 100 bilhões em investimentos na infraestrutura petrolífera da Venezuela, como parte de sua estratégia para incentivar a retomada das atividades do setor no país após a captura do líder Nicolás Maduro pelos Estados Unidos.

“Vamos decidir quais companhias petrolíferas entrarão e fecharemos um acordo com elas. Provavelmente faremos isso hoje ou logo depois”, disse Trump. Ele enfatizou que aguardava aportes sem apoio financeiro estatal: "Investiriam pelo menos US$ 100 bilhões do próprio bolso, não do governo".

Garantias e pressões sobre as petroleiras

Para pressionar os representantes do setor, Trump afirmou que, caso as empresas presentes na reunião da Casa Branca não se comprometessem, ele tinha outras “25 pessoas que não estão aqui hoje dispostas a ocupar o lugar de vocês”.

O diálogo ocorreu menos de uma semana depois da ação militar dos EUA em Caracas. Trump justificou a intervenção como uma chance para depor Maduro, argumentando que ele representava ameaça à segurança nacional e que a exploração das vastas reservas de petróleo da Venezuela poderia gerar “poder e receita para o hemisfério”.

"Se não fizéssemos isso, a China ou a Rússia teriam feito", declarou.

Para captar o interesse das empresas, Trump articulou garantias contratuais e de segurança para trabalho no país, e que as negociações seriam diretamente com os Estados Unidos, não com governos venezuelanos.

"Vocês estão negociando diretamente conosco, não estão negociando com a Venezuela de forma alguma, não queremos que negociem com a Venezuela", advertiu.

Executivos de grandes petrolíferas americanas participaram do encontro, todas com histórico de operações na Venezuela:

  • Mark Nelson, da Chevron;
  • Darren Woods, da Exxon Mobil;
  • Ryan Lance, da ConocoPhillips.

Também estavam presentes líderes de produtoras independentes, como Harold Hamm, da Continental Resources, e Jeff Hildebrand, fundador da Hilcorp Energy, ambos foram doadores de campanha de Trump durante as eleições presidenciais, segundo informações da Bloomberg.

Trump também pressionou os executivos a modernizar as operações na Venezuela: “Espero que vocês construam instalações totalmente novas, arranquem toda essa porcaria velha que está aí há tantos anos e façam tudo da maneira correta”.

Os interesses de Trump

As iniciativas de Trump coincidem com esforços mais amplos para responder às pressões relacionadas ao custo de vida nos EUA, assunto relevante na estratégia republicana de manter o controle do Congresso nas eleições de novembro. O presidente tem enfatizado a recente queda nos preços da gasolina — uma média de US$ 2,81 por galão de gasolina sem chumbo, segundo a Associação Americana de Automóveis (AAA) — como sinal de alívio aos consumidores americanos.

Essa dinâmica apresenta tensões dentro da indústria: empresas independentes reportam dificuldades em manter operações domésticas diante de preços mais baixos de petróleo bruto, preocupando-se que a entrada de petróleo venezuelano no mercado possa reduzir ainda mais os valores, prejudicando a viabilidade de novas perfurações.

O mercado respondeu à perspectiva de entrada de petróleo venezuelano e à intenção declarada de liberar mais de 50 milhões de barris de petróleo bruto venezuelano, incluindo estoques acumulados sob bloqueio naval dos EUA. Os contratos futuros do West Texas Intermediate, principal referência americana, giravam em torno de US$ 59 por barril nesta sexta-feira, informou a Bloomberg.

No encontro com Trump, alguns participantes do setor manifestaram receio de que o plano pudesse ser visto como uma “tomada oportunista” de petróleo venezuelano, em razão da cautela histórica com investimentos imediatos no país. Ao mesmo tempo, a pressão direta de Trump para compromissos rápidos adiciona complexidade ao cenário para as empresas.

A tensão decorre do forte apoio político que Trump recebeu da indústria petrolífera. Em um evento da campanha de 2024, Trump prometeu uma série de ajustes regulatórios para o setor e solicitou que o grupo arrecadasse US$ 1 bilhão para sua campanha, segundo fontes anônimas à agência de notícias.

A Venezuela detém as maiores reservas comprovadas de petróleo bruto do mundo, mas a produção caiu para menos de 1 milhão de barris por dia após décadas de deterioração da infraestrutura e saída de empresas estrangeiras. A restauração de plataformas, oleodutos e equipamentos severamente degradados pode levar anos, com custos estimados em várias dezenas de bilhões de dólares, antes de aproximar a produção ao pico anterior de quase 4 milhões de barris por dia.

Trump também afirmou que cancelou uma segunda onda de ataques planejados à Venezuela, citando melhorias na cooperação após a libertação de alguns presos políticos. Mesmo assim, as forças armadas dos EUA permanecem posicionadas na região, e, na sexta-feira, a Guarda Costeira norte-americana abordou outro petroleiro.

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