Delcy Rodríguez toma posse como presidente interina da Venezuela nesta segunda-feira (Federico Parra/AFP)
Repórter
Publicado em 9 de janeiro de 2026 às 16h24.
Última atualização em 9 de janeiro de 2026 às 16h32.
O governo da Venezuela anunciou nesta sexta-feira, 9 de janeiro, a decisão de retomar as relações diplomáticas com os Estados Unidos. O anúncio ocorre seis dias após os ataques em Caracas que resultaram na captura do líder Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
Em nota oficial, o governo venezuelano reafirmou que considera a ação americana uma “agressão criminal, ilegítima e ilegal” contra seu território e sua população. As autoridades destacaram que os Estados Unidos estão sem embaixador em Caracas desde 2010 e que as atividades diplomáticas foram suspensas em 2019, quando o pessoal da embaixada foi completamente retirado.
Segundo o comunicado, embora condene a operação militar, o governo venezuelano afirma que a reativação das missões diplomáticas tem como objetivo tratar das consequências da captura do presidente e da primeira-dama, além de estabelecer uma agenda comum de interesse bilateral.
"Como reiterou a Presidente Interina Delcy Rodríguez, a Venezuela enfrentará essa agressão por meio de canais diplomáticos, convicta de que a Diplomacia Bolivariana de Paz é o caminho legítimo para defender a soberania, restaurar o direito internacional e preservar a paz", diz o texto.
Uma delegação de autoridades dos Estados Unidos chegou a Caracas nesta sexta-feira, em meio às discussões do governo de Donald Trump sobre a possibilidade de reabrir a embaixada americana na Venezuela. A informação foi confirmada pelo Departamento de Estado norte-americano.
A comitiva inclui diplomatas e membros da equipe de segurança da Unidade de Assuntos da Venezuela, que opera a partir da Colômbia. Entre os representantes está John T. McNamara, encarregado de negócios da unidade. O objetivo da visita, segundo um porta-voz do departamento, é realizar uma avaliação preliminar para uma eventual retomada gradual das atividades diplomáticas no país.
O governo venezuelano também confirmou a chegada dos representantes americanos e informou que enviará sua própria delegação a Washington, com a missão de realizar ações correspondentes em território norte-americano.
De acordo com a imprensa colombiana, a equipe dos EUA deve avaliar fatores como segurança, condições da infraestrutura e a viabilidade para a reabertura da embaixada em Caracas.
Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, anunciou nesta quinta-feira, 8 de janeiro, a liberação de diversos presos por razões políticas, entre eles cidadãos estrangeiros.
Essa é a primeira medida do tipo adotada sob a gestão temporária de Delcy Rodríguez. Jorge Rodríguez afirmou que a iniciativa busca promover uma convivência pacífica no país e negou que tenha havido qualquer tipo de negociação para a realização das solturas. Ele também agradeceu a atuação de figuras internacionais que apoiaram a medida, entre eles o ex-chefe de governo da Espanha José Luis Rodríguez Zapatero, o presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva e representantes do governo do Catar.
Hoje, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que a libertação de presos políticos por parte do governo venezuelano indicava um gesto em direção à paz, e afirmou ter cancelado uma nova ofensiva militar que estava prevista.