Repórter
Publicado em 8 de janeiro de 2026 às 14h11.
Última atualização em 8 de janeiro de 2026 às 15h47.
O Senado dos Estados Unidos aprovou, nesta quinta-feira, por 52 votos a 47, uma resolução que impede o presidente Donald Trump de autorizar novas ações militares na Venezuela sem a aprovação do Congresso. As informações foram divulgadas pela CNBC.
A decisão foi tomada poucos dias após Trump ordenar a operação que resultou na captura de Nicolás Maduro, líder do país sul-americano. A aprovação da medida ocorreu pela união de um pequeno grupo de senadores republicanos a todos os democratas da Casa. Eram necessários 51 votos para que ela fosse adiante.
A proposta, classificada como uma War Powers Resolution ("Resolução sobre Poderes de Guerra", em tradução livre) exige maioria simples para aprovação no Senado, controlado pelos republicanos. O texto determina que o presidente obtenha autorização do Congresso antes de qualquer novo uso das forças armadas norte-americanas no território venezuelano.
A medida foi apresentado por Tim Kaine, senador democrata pela Virgínia, em parceria com Rand Paul, senador republicano do Kentucky, e segue agora para análise na Câmara dos Representantes, onde os republicanos detêm uma maioria estreita, informou a Reuters.
“Não se enganem, bombardear a capital de outra nação e depor seu líder é um ato de guerra, pura e simplesmente. Nenhuma disposição na Constituição concede tal poder à presidência”, afirmou Paul, em comunicado oficial.
Segundo a Constituição dos Estados Unidos, cabe ao Congresso declarar guerra. No entanto, Trump e seus aliados argumentam que a captura de Maduro configura uma operação policial, não militar, o que dispensaria consulta prévia ao Legislativo. O líder venezuelano responde agora a acusações por tráfico de drogas em um tribunal federal de Nova York.
Em novembro, uma tentativa semelhante de limitar os poderes de Trump foi rejeitada no Senado, com apenas dois republicanos — Rand Paul e Lisa Murkowski, do Alasca — votando com os democratas. Desde então, Trump intensificou a presença militar norte-americana nas proximidades da Venezuela, preparando o terreno para a ofensiva que resultou na prisão de Maduro.
A senadora Susan Collins, republicana do Maine, declarou apoio à nova resolução: “Embora eu apoie a operação para capturar Nicolás Maduro, que foi extraordinária em sua precisão e complexidade, não apoio o envio de forças adicionais dos EUA ou qualquer envolvimento militar de longo prazo na Venezuela ou na Groenlândia sem autorização específica do Congresso”, afirmou.
Os Estados Unidos invadiram a Venezuela na madrugada deste sábado, 3, e capturaram o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em uma operação militar de grande escala que incluiu bombardeios em Caracas e em regiões estratégicas do país.
A ação, confirmada pelo presidente americano Donald Trump, levou o líder chavista para uma prisão nos Estados Unidos sob acusações de narcoterrorismo e abriu uma crise sem precedentes recentes na América do Sul, com impactos diretos sobre a soberania venezuelana, o equilíbrio regional, o mercado global de petróleo e a arquitetura de segurança internacional.
Os Estados Unidos afirmam ter realizado um ataque em larga escala contra a Venezuela, com bombardeios em Caracas e em estados estratégicos como Miranda, La Guaira e Aragua. Segundo Washington, a ofensiva derrubou sistemas de energia e alvos militares antes da captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
Maduro foi capturando antes de entrar em um bunker, retirado do país e levado para os Estados Unidos, onde está preso no Metropolitan Detention Center, no Brooklyn. Ele é acusado de narcoterrorismo e tráfico internacional de cocaína e deverá responder a processos em tribunais de Nova York. Autoridades venezuelanas afirmam que integrantes da equipe de segurança presidencial foram mortos durante a operação.
A ação foi conduzida, segundo a imprensa americana, por militares da Delta Force, unidade de elite do Exército dos EUA.
Após a operação, Trump apresentou o que chamou de “Doutrina Donroe”, em referência direta à Doutrina Monroe, ao afirmar que o hemisfério ocidental estaria sob responsabilidade de Washington. O presidente dos EUA disse que a ofensiva representa uma nova estratégia de intervenção regional e afirmou que novas ações militares não estão descartadas.
Trump declarou que as Forças Armadas americanas permanecem prontas para um segundo ataque caso o novo comando venezuelano “não se comporte”. O presidente também fez advertências diretas a Colômbia e México, sugerindo que ambos enfrentam problemas ligados ao narcotráfico e poderiam ser alvo de iniciativas semelhantes.
(Com informações da AFP)