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Enviado de Israel aos EUA aprova mudar embaixada para Jerusalém

Ron Dermer, enviado israelense à capital dos EUA, fez a declaração menos de uma semana depois de Trump anunciar sua decisão de nomear David Friedman

Ron Dermer, sem mencionar Trump ou seu embaixador designado pelo nome, disse que a mudança "deveria ter acontecido muito tempo atrás" (Chris Kleponis/AFP)

Ron Dermer, sem mencionar Trump ou seu embaixador designado pelo nome, disse que a mudança "deveria ter acontecido muito tempo atrás" (Chris Kleponis/AFP)

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Reuters

Publicado em 21 de dezembro de 2016 às 09h48.

Última atualização em 21 de dezembro de 2016 às 09h49.

Washington - O embaixador de Israel nos Estados Unidos fez uma defesa intensa da promessa do presidente eleito dos EUA, Donald Trump, de transferir a embaixada norte-americana de Tel Aviv para Jerusalém, uma medida que simbolizaria o rompimento com um princípio de política externa de longa data de Washington.

Ron Dermer, enviado israelense à capital dos EUA, fez a declaração menos de uma semana depois de Trump anunciar sua decisão de nomear David Friedman, linha-dura pró-Israel que apoia o prosseguimento da construção de assentamentos judeus e a transferência da representação para Jerusalém, como embaixador para Israel.

Em discurso durante uma comemoração do Hanukkah na embaixada israelense, Dermer insistiu que mudar o local da missão diplomática dos EUA seria "um grande passo adiante para a paz", e não algo que iria inflamar o mundo árabe, como alertaram os críticos da ideia.

Israel e os palestinos, que buscam um Estado próprio, desejam Jerusalém como sua capital. Sucessivos governos norte-americanos disseram que o status da cidade deve ser negociado.

Se Trump cumprir sua promessa de campanha, o gesto irá reverter uma postura de décadas e atrair repúdio internacional.

Jerusalém abriga locais sagrados para judeus, muçulmanos e cristãos.

Na sexta-feira, Saeb Erekat, autoridade palestina de alto escalão, alertou que a transferência da embaixada para Jerusalém significaria a "destruição do processo de paz como um todo". As últimas conversas de paz a respeito de um Estado palestino patrocinadas por Washington fracassaram em 2014.

Dermer, sem mencionar Trump ou seu embaixador designado pelo nome, disse que a mudança "deveria ter acontecido muito tempo atrás".

Entre as principais razões, disse ele a uma plateia que incluía diplomatas estrangeiros e líderes comunitários norte-americanos judeus, "isso mandaria uma mensagem forte contra a deslegitimação de Israel".

Dermer disse esperar que no ano que vem, quando o novo embaixador dos EUA acender as tradicionais velas do Hanukkah na embaixada, ele o faça em Jerusalém.

Seus comentários pareceram mais contundentes do que aqueles feitos recentemente pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que há muito tempo promete manter Jerusalém como capital integral do Estado judeu.

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