Repórter de internacional e economia
Publicado em 30 de janeiro de 2026 às 08h40.
Uma pesquisa feita pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos (Amcham) aponta que os empresários que atuam no Brasil e no comércio exterior se preocupam mais com o ambiente político interno e o risco de desaceleração da economia do que com o ambiente geopolítico internacional.
Entre os entrevistados, 73% selecionaram o ano eleitoral como preocupação, 51% a possível desaceleração da economia brasileira, 47% a taxa de juros, 39% a segurança jurídica, 38% citaram a falta de mão de obra e 31% mencionaram o ambiente internacional. Cada pessoa podia marcar mais de uma opção.
Os dados serão divulgados nesta sexta-feira, 29, em um evento da Amcham, e foram obtidos de forma antecipada pela EXAME. A pesquisa ouviu 732 líderes empresariais, que atuam em companhias de médio e grande porte e que, somadas, possuem 389 mil vagas de emprego. As respostas foram dadas entre os dias 17 de dezembro de 2025 e 13 de janeiro de 2026.
A ampla maioria dos entrevistados, 86%, espera ter aumento das receitas em 2026, sendo que 26% deles esperam uma alta superior a 26%.
Apesar da preocupação eleitoral, 39% disseram ter uma perspectiva neutra sobre a eleição, 31% afirmaram estar pessimistas e 9% disseram estar muito pessimiistas. Do outro lado, 16% responderam estar otimistas, 2% afirmaram estar muito otimistas.
O estudo perguntou ainda quais devem ser as prioridades para o próximo governo brasileiro. Novamente, era possível marcar mais de uma opção. Assim, 83% responderam o controle de gastos públicos, 43% o combate à corrupção, 40% a segurança pública e 37%, a redução da taxa de juros.
Apesar da preocupação com a eleição, 35% dos entrevistados disseram esperar que a economia brasileira terá uma melhora a partir de 2027, 26% dizem que ficará igual, e 25% esperam uma piora.
Ao mesmo tempo, 45% dos entrevistados pretendem manter os investimentos no Brasil em 2026, 43% esperam aumentar o valor investido, e 6% esperam uma redução.
“O empresariado segue comprometido com o crescimento e com os investimentos no país. O desempenho de 2026 estará diretamente ligado à capacidade de execução das empresas, aos ganhos de produtividade e ao uso de tecnologia, além da importância de previsibilidade, equilíbrio fiscal e integração internacional”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.
A pesquisa também questionou quais deveriam ser as prioridades em política externa do Brasil. Dentre os entrevistados, boa parte deles ligados a negócios com os Estados Unidos, 53% disseram que a relação com os EUA deveria ser prioridade. As outras principais respostas foram a atração de investimentos estrangeiros (46%), novos acordos de comércio (44%) e acesso a mercados e redução e barreiras (35%).
Em outra questão, os empresários tiveram de responder sobre como avaliavam o estágio atual da relação entre Brasil e EUA para o seu setor. 38% responderam neutro, 32% disseram desafiador, 14% disseram favorável e 11% disseram muito desafiador.
Para 70% dos entrevistados, as tarifas são o principal obstáculo para ampliar os negócios com os EUA, enquanto 33% citaram a taxa de câmbio.
“Há uma agenda bem definida pelo setor empresarial. O desafio será transformar essas prioridades em avanços concretos, especialmente em um ano eleitoral no Brasil e diante da concorrência com outros temas no radar de prioridades do governo americano”, diz Neto.