Fernando Otani, VP de Negócios da Transire: A Transire já produziu mais de 48 milhões de maquininhas desde a fundação (Transire/Divulgação)
Repórter
Publicado em 30 de janeiro de 2026 às 08h00.
Última atualização em 30 de janeiro de 2026 às 09h06.
Criada há apenas uma década na Zona Franca de Manaus, a Transire é um grupo de meios de pagamento no Brasil, se destacando pela fabricação de maquininhas. Desde a fundação, a empresa já produziu mais de 48 milhões de maquininhas. Agora, a companhia inicia um novo ciclo estratégico: o reposicionamento internacional e a entrada em outros mercados.
Com produção concentrada em Manaus — aproveitando os incentivos fiscais da Zona Franca — e escritório em São Paulo, a Transire atende de pequenas à grandes empresas.
"Hoje nos consolidamos como fornecedora de tecnologia para todos os grandes adquirentes e bancos do país", afirma Fernando Otani, vice-presidente de Negócios da Transire, que estima que cerca de 75% dos terminais de pagamento do varejo brasileiro tenham saído de suas fábricas
A trajetória da empresa começou com a representação de marcas internacionais, como a Pax, cujos dispositivos foram amplamente difundidos no varejo nacional. Mas ao longo do tempo a operação passou por um processo profundo de aprendizado sobre o mercado brasileiro. Segundo Otani, foi desse processo que nasceu a decisão de criar uma marca própria.
“Nos últimos 10 anos aprendemos muito com o varejo brasileiro, com os clientes e com a operação. Essa tropicalização passa por customização de produto. Era natural pegar uma maquininha que era sucesso na China ou nos Estados Unidos e adaptar para o Brasil. Agora, decidimos lançar a nossa linha própria para atender essa demanda”, diz.
A nova marca, batizada de Zire, nasce com propriedade intelectual própria, desenvolvimento integral no Brasil e direito global de produção e comercialização.
“Essa não é uma máquina adaptada. Desenvolvemos do zero. A propriedade intelectual é nossa, com direito global de comercialização e produção”, afirma o executivo.
Hoje, a Transire produz cerca de 4 milhões de maquininhas por ano, com uma média mensal de aproximadamente 350 mil dispositivos, com faturamento de R$ 2 bilhões de reais no último ano.
A criação da marca própria abriu caminho para a internacionalização — algo que antes era inviável quando a empresa atuava apenas como representante de marcas globais.
“Enquanto representávamos essas marcas, não existia um caminho para internacionalizar, porque elas já tinham presença global. A partir dessa decisão, isso abre um corredor importante para a gente internacionalizar a companhia”, diz Otani.
A estratégia começa pela América Latina, com a Argentina como primeiro hub operacional.
“A Argentina é a primeira operação que a gente monta, mas ela atende uma região ampla”, diz. Na sequência, a empresa planeja o lançamento da operação no México ainda no segundo semestre.
Na Europa, a Transire já tem negócios fechados em dez países, com o primeiro hub sendo estruturado em Portugal. Outro país que aparece na lista de internacionalização da companhia são os Estados Unidos.
Diferentemente do Brasil, onde a produção é local, os dispositivos destinados ao mercado internacional serão fabricados em parceria com uma planta na China, de onde são exportados para os demais países.
“Para o mercado brasileiro, a produção é local. Para os mercados internacionais, fabricamos na China e exportaremos para os outros países do mundo”, afirma o VP.
A expansão internacional surge também como resposta à maturidade do mercado brasileiro de adquirência.
“O mercado ficou muito maduro, com muitos players. Hoje ele demanda mais eficiência, e isso representa diminuição de volume. A expansão internacional vem exatamente para equalizar isso e nos devolver uma curva de crescimento em dispositivos e receita”, afirma.
Mais do que crescer em hardware, a Transire também passa por uma transformação de posicionamento.
“O maior desafio de 2026 não é só crescer em receita, mas deixar de ser uma empresa apenas de hardware e passar a ser uma empresa de software, soluções e ecossistema completo”, diz Otani.
A estratégia envolve a expansão de soluções digitais, integração de serviços e desenvolvimento de plataformas específicas para diferentes segmentos do varejo.
“Hoje, a máquina que atende um restaurante não pode ser a mesma que atende uma lavanderia. A gente se especializou em tornar isso simples e rápido de colocar no mercado”, afirma.

Mesmo com a ascensão do Pix, a Transire não viu retração no uso de maquininhas. Pelo contrário.
“O Pix no varejo tem sido massificado através das adquirentes e das maquininhas. Para nós, não teve impacto negativo — teve impacto positivo, porque democratizou o pagamento digital”, diz.
O perfil de empresas que compram maquininhas varia - de microempreendedor até operações premium.
“Fazemos a maquininha para o pequeno e grande empreendedor. Tem desde a máquina mais acessível até a super premium, com tela grande, mais bateria e aplicações integradas”, afirma.
Além do food service — hoje o principal segmento da empresa — novos mercados começam a surgir, como lavanderias de autoatendimento e mercados autônomos em condomínios.
“São mercados que não existiam no nosso planejamento e estão aparecendo como novos ‘clientes’ promissores”, diz.