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Discussão sobre prisioneiros pode travar acordo de paz com Israel, diz membro do Hamas

Mahmoud Mardawi também afirmou que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, estaria tentando "sabotar" o acordo de cessar-fogo

Publicado em 9 de outubro de 2025 às 10h05.

A falta de consenso sobre a libertação de prisioneiros do Hamas em Israel pode atrapalhar o acordo de paz, informou Mahmoud Mardawi, membro do alto escalão do grupo.

Em uma publicação no X (antigo Twitter), Mardawi disse que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, estaria tentando "sabotar" o acordo de cessar-fogo, informou o jornal Times of Israel.

“Parece que Netanyahu está tentando sabotar o acordo de cessar-fogo antes mesmo de sua implementação, ao voltar atrás nas listas de prisioneiros a serem libertados, numa tentativa de inviabilizar os entendimentos”, escreveu.

Ele também citou como riscos a falta de confiabilidade de Israel quanto à retirada de tropas do território palestino, reconstrução da Faixa de Gaza e reabertura das passagens de entrada e saída de Gaza.

Acordo de paz entre Israel e Hamas

Em 29 de setembro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, propôs um acordo de paz para o confronto entre Israel e Hamas, que previa uma série de 20 medidas. As principais delas incluem a libertação de reféns israelenses pelo Hamas e de presos palestinos por Israel, além da retirada dos militares israelenses de Gaza. O Hamas também deve deixar o comando da região e poderá receber anistia se aceitar deixar Gaza.

O plano possui várias fases. Após a troca de reféns e a saída do Hamas, as forças de Israel entregariam o controle da região para um governo de transição, composto por especialistas palestinos e um grupo de supervisão internacional.

Trump disse na noite de quarta-feira, 8, que Israel e Hamas concordaram com o plano, mas o acerto ainda depende de aprovação formal do governo de Israel, que debaterá o tema a partir das 11h (hora de Brasília) desta quinta-feira, 9.

Entenda o confronto entre Israel e Hamas

Israelenses e palestinos vivem um confronto há décadas. Israel foi criado, no fim dos anos 1940, sobre terras que os palestinos ocupavam anteriormente, após a ONU propor a fundação de dois países na região, um para os judeus e outro para os palestinos.

No entanto, nenhum dos lados concordou com a divisão feita em 1947. Os palestinos tentaram invadir o território dado a Israel, mas foram expulsos, dando origem a um conflito que dura até hoje. Nas décadas seguintes, Israel conquistou outras áreas e reduziu o espaço dos palestinos a dois blocos, um na Cisjordânia e outro na Faixa de Gaza.

A fase atual do confronto começou em 7 de outubro de 2023, quando o Hamas, grupo que controla Gaza, fez um ataque ao território israelense, que matou 1.219 pessoas e sequestrou 251. Em seguida, Israel invadiu Gaza para buscar os reféns e acabar com o poder de ataque do Hamas.

Mais de 66.000 pessoas foram mortas em Gaza desde o início da guerra, segundo números do Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas. Os dados são questionados por Israel e seus aliados, mas considerados confiáveis pela ONU.

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