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Diretor nuclear do Irã defende direito do país de enriquecer urânio

Diretor da agência nuclear iraniana afirma que nenhum país pode retirar de Teerã o direito de enriquecer combustível nuclear após declaração de Donald Trump

Líder supremo do Irã, Aiatolá Ali Khamenei: Irã afirmou que concordou com os EUA sobre os princípios orientadores para um acordo (ATTA KENARE/AFP)

Líder supremo do Irã, Aiatolá Ali Khamenei: Irã afirmou que concordou com os EUA sobre os princípios orientadores para um acordo (ATTA KENARE/AFP)

Publicado em 19 de fevereiro de 2026 às 08h44.

O diretor da agência de energia atômica do Irã, Mohamad Eslami, afirmou que nenhum país pode privar a república islâmica do direito de enriquecer combustível nuclear.

A declaração ocorre após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltar a insinuar uma possível ação militar.

"A base da indústria nuclear é o enriquecimento. Independente do que você deseja fazer no processo nuclear, você precisa de combustível nuclear", afirmou Eslami, segundo um vídeo publicado pelo jornal Etemad.

"O programa nuclear do Irã avança de acordo com as normas da Agência Internacional de Energia Atômica, e nenhum país pode privar o Irã do direito de se beneficiar pacificamente dessa tecnologia", acrescentou.

EUA prepara possível ataque

O Exército dos Estados Unidos está em condições de realizar um ataque contra o Irã já neste fim de semana, mas o presidente Trump ainda não autorizou a operação, segundo informações divulgadas nesta quinta-feira pela CNN e pelo The New York Times.

A Casa Branca foi informada de que as forças americanas estão prontas para agir após um reforço significativo de meios aéreos e navais no Oriente Médio nos últimos dias. O aumento de ativos militares teria elevado o grau de prontidão para uma eventual ofensiva.

Trump avalia cenários e consulta aliados

Apesar do preparo operacional, a decisão política ainda não foi tomada. Trump teria apresentado argumentos a favor e contra a ação militar em reuniões reservadas e consultado assessores e aliados sobre a melhor estratégia a adotar.

Integrantes da equipe de segurança nacional se reuniram na quarta-feira na Casa Branca para discutir o cenário no Irã.

No mesmo dia, os jornais afirmam que o presidente recebeu relatos do enviado especial Steve Witkoff e de seu genro, Jared Kushner, sobre conversas indiretas com autoridades iranianas realizadas na véspera.

Até aquele momento, não havia indicação clara de que uma decisão seria tomada antes do fim de semana. Segundo a CNN, uma fonte afirmou que Trump estaria dedicando "muito tempo" à avaliação do tema.

Israel intensifica preparativos e prevê reunião de gabinete

De acordo com o The New York Times, as Forças Armadas de Israel ampliaram seus preparativos para um possível confronto, e o gabinete de segurança do país planeja se reunir no domingo, 22.

Fontes da Defesa israelense ao jornal disseram que a hipótese em discussão seria como uma operação de vários dias, com o objetivo de pressionar Teerã a fazer mais concessões em relação ao seu programa nuclear nas negociações.

Porta-aviões e caças reforçam presença dos EUA na região

O porta-aviões USS Gerald R. Ford avançava em direção ao Estreito de Gibraltar para se juntar ao USS Abraham Lincoln, que já está em águas do Oriente Médio.

O reforço militar americano inclui ainda dezenas de aviões-tanque de reabastecimento, mais de 50 caças adicionais e dois grupos de ataque de porta-aviões, acompanhados por destróieres, cruzadores e submarinos, segundo relatos de autoridades dos EUA ao jornal.

A rede CBS afirmou, citando vários funcionários, que Trump avalia possíveis ataques contra o Irã nos próximos dias. Paralelamente, o Pentágono iniciou a retirada temporária de parte de seu pessoal do Oriente Médio, principalmente para a Europa e os Estados Unidos, como medida preventiva diante de eventuais ações ou retaliações iranianas.

Em coletiva, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que há “muitas razões e argumentos” para um ataque contra o Irã, mas reforçou que a diplomacia continua sendo a primeira opção do governo.

Ela não comentou a possibilidade de que uma eventual ação militar seria coordenada com Israel, país com o qual Washington mantém consultas frequentes na área de segurança.

*Com informações da EFE e AFP

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