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Debate nos EUA: migração poderá ser tema explosivo no encontro entre Biden e Trump

Candidatos farão 1º embate na TV desta campanha na quinta-feira, 27, na CNN

Imigrantes em Ruby, Arizona, perto da fronteira com os EUA
 (Brandon Bell /AFP)

Imigrantes em Ruby, Arizona, perto da fronteira com os EUA (Brandon Bell /AFP)

Publicado em 26 de junho de 2024 às 11h25.

A política migratória deve inflamar o debate de quinta-feira (27) entre Donald Trump, que acusa os migrantes de "envenenar o sangue" dos Estados Unidos, e Joe Biden, que fará o possível para se distanciar de seu adversário republicano.

Ambos estão certos de que, segundo as pesquisas, boa parte do eleitorado se preocupa com a segurança na fronteira com o México e com o fluxo de migrantes.

Veja a seguir as principais propostas de ambos os candidatos às presidenciais de novembro.

Propostas de Donald Trump para imigração

A migração é o eixo central do programa eleitoral do magnata republicano, cujo discurso anti-imigração aumenta à medida que se aproxima a data das eleições.

Durante seu mandato, de 2017 a janeiro de 2021, aplicou uma política de "tolerância zero", que tratava como criminosos os migrantes que tentavam entrar ilegalmente nos Estados Unidos, levando muitos a perder a guarda dos filhos. Também começou a construir um muro na fronteira com o México, em trechos onde antes existiam apenas cercas. O muro não foi concluído.

Trump mantém a linha dura e promete medidas "tão draconianas quanto necessárias", como "fechar a fronteira" com o México, retomar a construção do muro e deportar "em massa". "Será a maior deportação da história do nosso país", repete.

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Em seus comícios, Trump afirma que os migrantes "envenenam o sangue do país", o que lhe valeu comparações com Adolf Hitler, e "vêm de prisões e cadeias", "de instituições psiquiátricas e asilos".

"Estão matando nosso país", são "criminosos", diz, embora as estatísticas do FBI mostrem uma redução de 1,7% dos crimes violentos e 6,1% dos homicídios no país em 2022 em relação a 2021.

Nos últimos dias, surpreendeu ao propor autorizações de residência permanente a estrangeiros que se formem em universidades americanas.

Se voltar à Casa Branca, o republicano de 78 anos ameaça impor taxas aos países que não controlarem o fluxo de migrantes com destino aos Estados Unidos.

Propostas de Joe Biden para imigração

Os republicanos culpam as políticas de Biden por gerarem uma forte alta da vinda de imigrantes irregulares nos últimos anos. O democrata tentou mudar regras sobre o tema no Congresso, mas a oposição dificultou seus planos.

Ele chegou à Casa Branca com a promessa de promover uma política migratória mais humana e um caminho para a cidadania a 11 milhões de migrantes sem documentos, mas encontrou oposição dos conservadores no Congresso e sua proposta nunca foi votada.

"Não vou demonizar os imigrantes", "não vou separar famílias", afirma o democrata de 81 anos, que garante não "politizar" a questão.

Ele tenta convencer o eleitorado de que é pró-ativo em relação aos migrantes que chegam fora das "vias legais" promovidas por seu governo, como agendar uma consulta por aplicativo, cumprir os trâmites nos países por onde passam e tentar um asilo humanitário.

Nas últimas semanas, Biden assinou um decreto que restringe a entrada de migrantes pela fronteira com o México enquanto houver mais de 2.500 travessias irregulares em sete dias e endureceu as normas para os pedidos de asilo.

Seu governo também impulsionou uma lei que acelera a negativa de asilo aos que representam perigo para a "segurança nacional ou pública".

Por outro lado, o presidente concedeu proteção migratória a quase meio milhão de venezuelanos e vai simplificar o processo para estrangeiros casados com americanos obterem uma autorização de residência, o green card, sem precisar sair do país.

Afirmou ainda que irá acelerar a concessão de vistos a graduados no ensino superior americano, desde que "tenham recebido uma oferta de emprego altamente qualificada".

Esta medida beneficiará os "dreamers"(sonhadores), que migraram para os Estados Unidos ainda crianças e estão protegidos por um programa federal, chamado Daca, que lhes permite viver e trabalhar legalmente no país.

Onde vai passar o debate entre Trump e Biden?

O debate será exibido pelos canais CNN e CNN Brasil, ao vivo.

Que horas começa o debate nos EUA?

O debate começa às 22h (hora de Brasília) de quinta-feira, 27 de junho.

Quanto tempo dura o debate?

90 minutos, com dois intervalos comerciais.

Quais serão as regras do debate?

Os candidatos ficarão parados em púlpitos, cuja ordem será definida por um jogo de cara-ou-coroa.

Não haverá fala de abertura. Os moderadores farão as perguntas e cada candidato terá dois minutos para a resposta, mais um minuto para réplica.

Enquanto um candidato estiver respondendo, o outro ficará com o microfone silenciado, para evitar interrupções.

Os candidatos não poderão levar nenhum material além de papel em branco, caneta e uma garrafa de água. Não haverá plateia no estúdio.

Com AFP.

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