Darren Beattie, assessor do presidente dos EUA, Donald Trump (Departamento de Estado dos EUA/Divulgação)
Repórter
Publicado em 12 de março de 2026 às 10h49.
Última atualização em 12 de março de 2026 às 12h46.
O diplomata Darren Beattie, assessor do presidente americano, Donald Trump, obteve, na terça-feira, 10, o aval do ministro Alexandre de Moraes para uma visita a Bolsonaro em sua cela na Papudinha, em Brasília. Os advogados do ex-presidente buscam arranjar um encontro com Beattie na próxima semana, no dia 16 ou 17 de março.
No pedido enviado ao STF, o time de Bolsonaro solicitou autorização excepcional para que o encontro aconteça fora das horas do horário de visitas regular da Papudinha, argumentando restrições na agenda de Beattie. Além disso, o pedido prevê que um intérprete esteja presente, já que Bolsonaro não fala inglês fluentemente.
O conservador americano recentemente assumiu o cargo de assessor sênior da administração Trump para política externa em relação especificamente ao Brasil, que envolve administrar e mediar políticas de Washington para o país. Críticos de Bolsonaro veem a visita como uma tentativa do ex-presidente de alavancar seus laços com Trump para tentar reverter as penas a que ele foi condenado, por tentativa de golpe de Estado.
Veja o perfil de Darren Beattie, assessor de Trump, diplomata, e autor conservador.
Darren Beattie é um acadêmico conservador americano que participou em ambos os mandatos de Trump. Originalmente graduado em matemática, Beattie obteve um doutorado em teoria política pela Universidade de Duke, no estado da Carolina do Norte, nos EUA. Desde então, lecionou ciência política pela mesma instituição e pela Universidade Humboldt de Berlim.
Durante seu tempo como acadêmico, também foi colunista do jornal Duke Chronicle, onde escreveu um artigo condenando a assinatura da Universidade de Duke em uma carta em oposição às ondas de restrições contra muçulmanos propostas por Trump, no que ficou conhecido como “Muslim ban”.
No passado, também foi crítico do governo do petista Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro Alexandre de Moraes durante o processo que julgou Bolsonaro como golpista. Nas redes sociais, ele chamou o ministro de “o principal arquiteto do complexo de censura e perseguição direcionado a Bolsonaro e seus apoiadores”.
Em uma carta ao Departamento de Estado americano, órgão semelhante em função e atuação ao Itamaraty, Beattie alertou para que outros membros do órgão não apoiassem o ministro e suas decisões.
Em consequência desses comentários, o principal diplomata americano em Brasília foi convocado para esclarecer as falas.
Beattie sempre foi um forte apoiador de Trump. Em 2016, foi parte de um grupo de acadêmicos que assinou uma petição em suporte à campanha do republicano. Após as eleições, foi o principal autor de discursos para Trump durante seu primeiro mandato, mas foi demitido em 2018 após ser visto discursando em um evento frequentados por supremacistas brancos como Peter Brimelow, fundador do site associado a extremismo da supremacia branca VDARE, John Derbyshire, um jornalista amplamente acusado de racismo, e Robert Weissberg, um cientista político autor de um livro controverso considerado racista, e um conhecido discursista sobre nacionalismo branco.
Também foi acusado de racismo e sexismo por seus comentários em redes sociais, especialmente o X, antigo Twitter, onde chegou a postar: "Homens brancos competentes precisam estar no comando se você quiser que as coisas funcionem. Infelizmente, toda a nossa ideologia nacional se baseia em proteger os sentimentos de mulheres e minorias e em desmoralizar homens brancos competentes."
Também acusa os órgãos de inteligência e investigação americanos, CIA e FBI de estarem por trás de atentados à vida do presidente e do incidente de 6 de janeiro de 2021, quando apoiadores de Trump invadiram o Capitólio, em Washington. As acusações ocorreram após Beattie ter feito postagens admirando o ataque, rapidamente deletadas.
Historicamente, Beattie criticou abertamente a política externa americana nas redes sociais e em ensaios. Em 2020, escreveu no X que "A OTAN representa uma ameaça maior à liberdade americana do que o Partido Comunista Chinês. Parece loucura, eu sei, mas eu estaria disposto a debater publicamente com qualquer pessoa que levasse esse assunto a sério."
No ano seguinte, escreveu que "grande parte do ódio da classe dominante americana pela Rússia reside no fato de a Rússia ser uma grande potência que rejeita a ideologia woke, que está no cerne do regime americano" e "agora que a China de Xi está rejeitando o veneno woke americano em aspectos fundamentais, é interessante observar como isso se encaixa na Guerra Fria 2.0."
Sobre a China, o conservador elogia o sistema judicial do país por sua repressão, argumentando que os EUA e outros países do Oriente deveriam se tornar mais repressores para combater o crime. Sobre a minoria muçulmana dos uigures, uma das mais marginalizadas da China, escreveu:
"Os chineses não são genocidas. Eles simplesmente se opõem à supremacia uigur e à identidade uigur. Se os uigures simplesmente rejeitassem a supremacia uigur, não teriam problemas para se integrar à sociedade chinesa." Em outra postagem, disse: "Os uigures não gostam do racismo anti-uigur, e deve ser porque são nacionalistas uigures que pensam que toda a China é SOMENTE para os uigures."
Também diz que Taiwan inevitavelmente será anexada pela China, e que “não vale a pena gastar dinheiro algum tentando impedir isso”, adicionando que “um estadista visionário reconhecerá isso e fará um acordo - em troca do reconhecimento desta realidade básica, obterá algumas concessões sérias na África e na Antártica”. Em julho de 2024, Beattie escreveu que a anexação “poderia significar menos desfiles de drag queens em Taiwan, mas, fora isso, não seria o fim do mundo.”